18 janeiro, 2021

Análise comparativa dos textos literários

 

Introdução

O texto literário traz o significado de pertencer à literatura, termo que vem do latim littera, ou letra. No seu sentido primário, portanto, texto literário é o que manifesta uma ideia escrita em linguagem elaborada de forma a causar emoções no leitor. (Wikipédia)

Para ser considerado literário, o texto obrigatoriamente deve possuir uma elaboração especial e peculiar, com traços que não existem nos textos não literários. Com uma linguagem bem elaborada, artística, descrevendo um universo todo específico de cada autor e, portanto, desconhecido do leitor, o texto literário deve ter uma função poética e uma função estética, dentro de um estilo próprio de cada escritor.

O texto literário precisa ter algumas características essenciais, também deve criar uma interação entre o autor e o leitor através de recursos como pontuação diferenciada e recursos estilísticos, além do vocabulário que transmita o que o autor pretende, criando assim arte e beleza para a imaginação do leitor.

Neste presente trabalho, inserido na cadeira de Introdução aos Estudos Literários, visa abordar sobre uma análise comparativa dos textos literários de Luís Vaz de Camões. Durante a análise comparativa, destacaremos os principais pontos de divergência e convergência entre os textos, como é o caso de recursos estilísticos presentes bem como a expressividade desses recursos estilísticos.

Texto A

Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

 Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís Vaz de Camões

Texto B

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Muda-se o ser, muda-se a confiança;

Todo o Mundo é composto de mudança,

Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,

Diferentes em tudo da esperança;

Do mal ficam as mágoas na lembrança,

E do bem, se algum houve, as saudades.

 O tempo cobre o chão de verde manto,

Que já coberto foi de neve fria,

E em mim converte em choro o doce canto.

 E, afora este mudar-se cada dia,

Outra mudança faz de mor espanto:

Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

Análise comparativa dos textos

No texto A, Camões desenvolve o seu poema de amor através da apresentação de ideias opostas: a dor se opõe ao não sentir, o contentamento afinal é descontente. O poeta usa esse recurso de aproximação de coisas que parecem distantes para explicar um conceito tão complexo como o amor.

Por meio da aproximação dos opostos, o texto nos traz uma série de afirmações sobre o amor que parecem contraditórias, mas que são inerentes à própria natureza do sentimento amoroso.

Esse recurso linguístico é chamado de antítese. A antítese, que o poeta usa para desenvolver os seus versos, é uma figura de linguagem onde há uma aproximação de ideias opostas.

Outro ponto importante é que o poema do texto A é construído baseado num raciocínio lógico que leva a uma conclusão final. Essa argumentação fundamentada na apresentação de afirmações que leva a uma consequência lógica final é chamada de silogismo.

Ainda no texto A, as afirmações são feitas nos dois quartetos e no primeiro terceto, sendo a última estrofe a conclusão do silogismo.

Na última estrofe do texto A, Camões apresenta a sua conclusão. O formato do soneto clássico e a sonoridade estão diretamente relacionados ao conteúdo do poema. Nas primeiras estrofes temos o desenvolvimento de um raciocínio, e, nessas estrofes, observamos uma sonoridade próxima por conta das rimas e da pausa na sexta sílaba métrica.

Assim como o texto A, o texto B também segue a fórmula do soneto clássico. É decassílabo, o que significa que contém dez sílabas poéticas em cada estrofe. A sílaba poética, ou sílaba métrica, se diferencia da gramatical porque ela é definida pela sonoridade. A contagem das sílabas em uma estrofe termina na última sílaba tônica.

No que diz respeito ao texto B, a primeira observação que cumpre fazer relaciona-se com a estrutura interna do poema, isto é, com o seu conteúdo. Co relação a sua temática, é possível concluir que diz respeito às mudanças que ocorrem na vida com a passagem do tempo, o que se evidencia ao longo de todo o poema.

O sujeito poético fala sobre as mudanças que vão se sucedendo no mundo, o que se comprova no primeiro quarteto: “ Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança, Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades”; na natureza, o que se constata no primeiro e segundo versos do primeiro terceto: “O tempo cobre o chão  de verde manto, Que já coberto foi de neve fria” e nele próprio, o terceiro verso do primeiro terceto: “E em mim converte em choro o doce canto”. Nessa linha de pensamento é possível salientar que o tempo, as vontades e as pessoas estão em constante processo de transformação, à medida que as circunstâncias se modificam.

Com relação às tensões poéticas, pode-se inferir que elas são verificadas no decorrer do poema, tais como mágoas, saudades e tristezas.

No que concerne ao período em que o poema se insere: o Renascimento, pode-se destacar que esse amplo movimento cultural, económico e científico que surgiu na Itália em fins da Idade Média e rapidamente se espalhou por toda Europa.

Em suma, o assunto do poema  do texto A é a mudança, como mostra logo no primeiro verso. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” por esta razão o poeta utiliza muitas vezes a palavra “Mudança”. O autor pretende mostrar que todo o mundo é composto de mudança. Com isso podemos afirmar que o tema do poema é a mudança das pessoas, dos tempos das vontades e entre outras. O poema é dividido em duas partes. Nas duas primeiras estrofes fala da mudança e o que é que muda no mundo e no relacionamento entre as pessoas. Na terceira e na quarta estrofe já fala do presente, e resume tudo o que significa para o poeta como a mudança do tempo dele e este conclui que a mudança já não é o que era dantes. Isto mostra a influencia das suas experiências vividas.

O recurso estilístico presente no poema é a Anáfora porque refere muitas vezes a palavra “Mudança”, com a intenção de reforçar a mudança que ele sentiu e a mudança dos tempos.

Conclusão

O amor é fogo que arde sem se ver e  Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades são sonetos de Luís Vaz de Camões, um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos.

No poema “Amor é fogo que arde sem se ver”, Camões desenvolve o seu poema de amor através da apresentação de ideias opostas: a dor se opõe ao não sentir, o contentamento afinal é descontente. O poeta usa esse recurso de aproximação de coisas que parecem distantes para explicar um conceito tão complexo como o amor.

Ja no poema “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, o assunto do poema é a mudança, como mostra logo no primeiro verso. Por esta razão o poeta utiliza muitas vezes a palavra “Mudança”. O autor pretende mostrar que todo o mundo é composto de mudança. Com isso podemos afirmar que o tema do poema é a mudança das pessoas, dos tempos das vontades e entre outras.

Ambas poesias de Camões seguem a fórmula do soneto clássico. São decassílabas, o que significa que contém dez sílabas poéticas em cada estrofe. A sílaba poética, ou sílaba métrica, se diferencia da gramatical porque ela é definida pela sonoridade.

Referências

COVANE, Lourenço. Introdução aos Estudos Literários: Manual do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa. UCM-CED, Beira, Moçambique.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.

Literatura. In Wikipédia: a enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura.  Acesso 16/10/2020, 12:53.


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