Introdução
O texto literário traz o significado
de pertencer à literatura, termo que vem do latim littera, ou letra. No seu
sentido primário, portanto, texto literário é o que manifesta uma ideia escrita
em linguagem elaborada de forma a causar emoções no leitor. (Wikipédia)
Para ser considerado literário, o
texto obrigatoriamente deve possuir uma elaboração especial e peculiar, com
traços que não existem nos textos não literários. Com uma linguagem bem
elaborada, artística, descrevendo um universo todo específico de cada autor e,
portanto, desconhecido do leitor, o texto literário deve ter uma função poética
e uma função estética, dentro de um estilo próprio de cada escritor.
O texto literário precisa ter
algumas características essenciais, também deve criar uma interação entre o
autor e o leitor através de recursos como pontuação diferenciada e recursos
estilísticos, além do vocabulário que transmita o que o autor pretende, criando
assim arte e beleza para a imaginação do leitor.
Neste presente trabalho, inserido
na cadeira de Introdução aos Estudos Literários, visa abordar sobre uma análise
comparativa dos textos literários de Luís Vaz de Camões. Durante a análise
comparativa, destacaremos os principais pontos de divergência e convergência
entre os textos, como é o caso de recursos estilísticos presentes bem como a
expressividade desses recursos estilísticos.
Texto A
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões
Texto B
Mudam-se os tempos, mudam-se as
vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce
canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões
Análise comparativa dos textos
No texto A, Camões desenvolve o seu
poema de amor através da apresentação de ideias opostas: a dor se opõe ao não
sentir, o contentamento afinal é descontente. O poeta usa esse recurso de
aproximação de coisas que parecem distantes para explicar um conceito tão
complexo como o amor.
Por meio da aproximação dos
opostos, o texto nos traz uma série de afirmações sobre o amor que parecem
contraditórias, mas que são inerentes à própria natureza do sentimento amoroso.
Esse recurso linguístico é chamado
de antítese. A antítese, que o poeta usa para desenvolver os seus versos, é uma
figura de linguagem onde há uma aproximação de ideias opostas.
Outro ponto importante é que o
poema do texto A é construído baseado num raciocínio lógico que leva a uma
conclusão final. Essa argumentação fundamentada na apresentação de afirmações
que leva a uma consequência lógica final é chamada de silogismo.
Ainda no texto A, as afirmações são
feitas nos dois quartetos e no primeiro terceto, sendo a última estrofe a
conclusão do silogismo.
Na última estrofe do texto A,
Camões apresenta a sua conclusão. O formato do soneto clássico e a sonoridade
estão diretamente relacionados ao conteúdo do poema. Nas primeiras estrofes
temos o desenvolvimento de um raciocínio, e, nessas estrofes, observamos uma
sonoridade próxima por conta das rimas e da pausa na sexta sílaba métrica.
Assim como o texto A, o texto B
também segue a fórmula do soneto clássico. É decassílabo, o que significa que
contém dez sílabas poéticas em cada estrofe. A sílaba poética, ou sílaba
métrica, se diferencia da gramatical porque ela é definida pela sonoridade. A
contagem das sílabas em uma estrofe termina na última sílaba tônica.
No que diz respeito ao texto B, a
primeira observação que cumpre fazer relaciona-se com a estrutura interna do
poema, isto é, com o seu conteúdo. Co relação a sua temática, é possível
concluir que diz respeito às mudanças que ocorrem na vida com a passagem do
tempo, o que se evidencia ao longo de todo o poema.
O sujeito poético fala sobre as
mudanças que vão se sucedendo no mundo, o que se comprova no primeiro quarteto:
“ Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança,
Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades”; na
natureza, o que se constata no primeiro e segundo versos do primeiro terceto:
“O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria” e nele próprio, o terceiro verso do primeiro
terceto: “E em mim converte em choro o doce canto”. Nessa linha de pensamento é
possível salientar que o tempo, as vontades e as pessoas estão em constante
processo de transformação, à medida que as circunstâncias se modificam.
Com relação às tensões poéticas,
pode-se inferir que elas são verificadas no decorrer do poema, tais como
mágoas, saudades e tristezas.
No que concerne ao período em que o
poema se insere: o Renascimento, pode-se destacar que esse amplo movimento
cultural, económico e científico que surgiu na Itália em fins da Idade Média e
rapidamente se espalhou por toda Europa.
Em suma, o assunto do poema do texto A é a mudança, como mostra logo no
primeiro verso. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” por esta razão o
poeta utiliza muitas vezes a palavra “Mudança”. O autor pretende mostrar que
todo o mundo é composto de mudança. Com isso podemos afirmar que o tema do
poema é a mudança das pessoas, dos tempos das vontades e entre outras. O poema
é dividido em duas partes. Nas duas primeiras estrofes fala da mudança e o que
é que muda no mundo e no relacionamento entre as pessoas. Na terceira e na
quarta estrofe já fala do presente, e resume tudo o que significa para o poeta
como a mudança do tempo dele e este conclui que a mudança já não é o que era
dantes. Isto mostra a influencia das suas experiências vividas.
O recurso estilístico presente no poema é a Anáfora porque refere muitas vezes a palavra “Mudança”, com a intenção de reforçar a mudança que ele sentiu e a mudança dos tempos.
Conclusão
O amor é fogo que arde sem se ver e
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
são sonetos de Luís Vaz de Camões, um dos maiores escritores portugueses de
todos os tempos.
No poema “Amor é fogo que arde sem
se ver”, Camões desenvolve o seu poema de amor através da apresentação de
ideias opostas: a dor se opõe ao não sentir, o contentamento afinal é
descontente. O poeta usa esse recurso de aproximação de coisas que parecem
distantes para explicar um conceito tão complexo como o amor.
Ja no poema “Mudam-se os tempos,
mudam-se as vontades”, o assunto do poema é a mudança, como mostra logo no
primeiro verso. Por esta razão o poeta utiliza muitas vezes a palavra
“Mudança”. O autor pretende mostrar que todo o mundo é composto de mudança. Com
isso podemos afirmar que o tema do poema é a mudança das pessoas, dos tempos
das vontades e entre outras.
Ambas poesias de Camões seguem a fórmula do soneto clássico. São decassílabas, o que significa que contém dez sílabas poéticas em cada estrofe. A sílaba poética, ou sílaba métrica, se diferencia da gramatical porque ela é definida pela sonoridade.
Referências
COVANE, Lourenço. Introdução aos Estudos Literários: Manual
do Curso de Licenciatura em Ensino da Língua Portuguesa. UCM-CED, Beira,
Moçambique.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria
da ciência e prática da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro:
Vozes, 1997.
Literatura. In Wikipédia: a
enciclopédia livre. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura. Acesso 16/10/2020, 12:53.
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