18 janeiro, 2021

Distinção entre os processos de formação de palavras por aglutinação e justaposição

 

Introdução

As palavras que compõem o léxico da língua são formadas principalmente por dois processos morfológicos: Derivação e Composição.

Na derivação, a formação de uma nova palavra ocorre a partir de uma única palavra simples ou radical, ao qual se juntam afixos, formando uma nova palavra com significação própria. Existem cinco tipos de derivação: derivação prefixal, derivação sufixal, derivação parassintética, derivação regressiva e derivação imprópria.

Na composição, a formação de uma nova palavra ocorre a partir da junção de duas ou mais palavras simples ou radicais. Formam-se assim palavras compostas com significação própria. O processo de composição pode ocorrer por justaposição ou por aglutinação.

O presente trabalho insere-se na cadeira de Linguística geral, onde, por via de indagação, procura abordar sobre a distinção entre processo de formação de palavras por justaposição e aglutinação. Com este tema pretende-se destacar os elementos diferenciadores entre as palavras justapostas e aglutinadas estabelecendo, deste modo, alguns exemplos concretos das palavras do tema em causa.

Composição de palavras: Justaposição e Aglutinação

Composição é o processo linguístico que permite a formação de novas palavras a partir de duas ou mais palavras simples ou radicais. As novas palavras formadas são palavras compostas, possuindo um significado próprio.

Existem dois tipos de composição: composição por justaposição e composição por aglutinação.

Adentrando neste campo conceitual, Carvalho (1956) assinala que, na Língua Portuguesa, existem dois tipos significativos em relação às palavras formadas por composição: a justaposição e a aglutinação.

Cunha registra, por sua vez, na “Gramática do português contemporâneo”, que a composição seria um tipo específico de se formar palavras. Assim, ela consistiria em

formar uma nova palavra pela união de dois ou mais radicais. A palavra composta representa sempre uma idéia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos componentes. Assim, criado-mudo é o nome de um móvel; mil – folhas, o de um doce; vitória – régia, o de uma planta; pé-de-galinha, o de uma ruga no canto externo dos olhos  (CUNHA, 1970, p. 76).

Santos, na “Gramática brasileira da língua portuguesa”, também pontua que, no português, um dos processos formadores de palavras é a composição. A seu ver, ao contrário de outras línguas, a composição tem baixo rendimento em língua portuguesa, seja porque é bem extenso o processo derivacional, seja porque o composto dificulta o sistema flexivo da língua. Contendo mais de um radical a palavra é composta. Com um radical apenas, a palavra é simples (SANTOS, 1980, p. 83).

SANTOS (ibidem, p. 83) constata que, na Língua Portuguesa, a composição pode ocorrer, a partir de duas esferas: a justaposição e a aglutinação. Aquela se refere só à aproximação de radicais diferentes, sendo que cada um preserva a sua autonomia fonética. A esse respeito, ele cita os vocábulos “guarda-roupa” e “porco-espinho”.

Quanto à aglutinação, o gramático focalizado registra que seria um composto formado pela união de palavras diferentes, havendo, no primeiro radical, a perda da autonomia fonética, assim como aconteceria com os vocábulos “aguardente”, “pernalta” e “planalto”.

 

Diferença entre palavras compostas por justaposição e aglutinação

Composição por aglutinação

Ocorre composição por aglutinação quando há alteração das palavras formadoras. Ocorre a fusão de duas ou mais palavras simples ou radicais, havendo supressão de fonemas. Os elementos formadores perdem, assim, a sua identidade ortográfica e fonológica porque a nova palavra composta apresenta apenas um acento tônico.

·         aguardente = água + ardente;

·         embora = em + boa + hora;

·         planalto =plano + alto;

·         vinagre = vinho + acre.

Composição por justaposição

Ocorre composição por justaposição quando não há alteração das palavras formadoras. Ocorre apenas a junção de duas ou mais palavras simples ou radicais, que mantêm a mesma ortográfica e acentuação que apresentavam antes do processo de composição. A maior parte das palavras compostas por justaposição estão ligadas com um hífen. Contudo, é possível a escrita de palavras compostas por justaposição sem hífen ou apenas escritas juntas.

·         arco-íris;

·         beija-flor;

·         guarda-chuva;

·         segunda-feira;

·         chapéu de chuva;

·         fim de semana;

Em suma a composição é o processo pelo qual a formação de palavras se dá pela união de dois ou mais radicais. Pode ocorrer  por justaposição, quando não há alteração fonética nos radicais (ponta-pé = pontapé) e por aglutinação, quando há alteração fonética nos radicais (plano + alto = planalto).

Conclusão

Após a indagação feita em torno do tema em causa concluiu-se que os principais processos de formação de palavras no português são a derivação e a composição. A derivação é a possibilidade de formar palavras através de outras consideradas primitivas. Já a composição diz respeito respeito à criação de uma nova palavra, a partir de dois radicais inter-relacionados, com significado único, configurando-se através da justaposição ou da aglutinação.

No que concerne à justaposição, pode-se pontuar que esse fenômeno apresenta peculiaridades próprias, dentre elas, a possibilidade de formar palavras compostas com radicais livres, consoante se observa em “guarda-chuva”. Individualidade esta que se fundamenta a partir de dois planos: o escrito e o fonológico. A independência constitutiva das palavras, perceptível a partir da escrita do sintagma nominal, é estabelecida através da justaposição dos dois radicais, geralmente, inter- relacionados por um hífen. Já, na pronúncia, configura-se a partir da independência fonética.

No que tange à aglutinação, afirma-se que sé um processo formador de palavras compostas através da fusão de dois radicais, a título de ilustração: “planalto” e “aguardente”. Esse agregamento constitui-se pela restrição vocabular, decorrente do aparecimento de um único acento tônico, bem como da substituição ou eliminação de fonemas, construindo-se uma nova palavra. A autonomia fonética do primeiro componente, portanto, é suplantada, sofrendo alterações em sua pronúncia. Assim, em planalto (plano + alto), há, na palavra “plano”, o apagamento da vogal “o” e da tonicidade, visto que esta é transportada para a sílaba “nal”, da palavra composta analisada. Já em aguardente (água + ardente), a palavra “água” perde a vogal “a” e sua tonicidade (água), visto que esta é apresentada na sílaba “den” da palavra composta.

Referências

CARVALHO, Q.( 1956). Nova gramática da língua portuguesa. São Paulo: Edições Rio Branco.

CUNHA, C. (1970). Gramática do Português Contemporâneo. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S.A.

SANTOS, M. dos. (1980). Gramática brasileira da língua portuguesa. São Paulo: FTD.

 


Sem comentários:

Enviar um comentário

A Supervisão Escolar

  1.0. Introdução A supervisão escolar constitui um eixo estruturante no campo da administração e da gestão educacional, assumindo um pa...