Introdução
As palavras que compõem o léxico da língua são
formadas principalmente por dois processos morfológicos: Derivação e
Composição.
Na derivação, a formação de uma nova palavra ocorre a
partir de uma única palavra simples ou radical, ao qual se juntam afixos,
formando uma nova palavra com significação própria. Existem cinco tipos de
derivação: derivação prefixal, derivação sufixal, derivação parassintética,
derivação regressiva e derivação imprópria.
Na composição, a formação de uma nova palavra ocorre a
partir da junção de duas ou mais palavras simples ou radicais. Formam-se assim
palavras compostas com significação própria. O processo de composição pode
ocorrer por justaposição ou por aglutinação.
O presente trabalho insere-se na cadeira de
Linguística geral, onde, por via de indagação, procura abordar sobre a
distinção entre processo de formação de palavras por justaposição e aglutinação.
Com este tema pretende-se destacar os elementos diferenciadores entre as palavras
justapostas e aglutinadas estabelecendo, deste modo, alguns exemplos concretos
das palavras do tema em causa.
Composição
de palavras: Justaposição e Aglutinação
Composição é o processo linguístico que permite a
formação de novas palavras a partir de duas ou mais palavras simples ou
radicais. As novas palavras formadas são palavras compostas, possuindo um
significado próprio.
Existem dois tipos de composição: composição por
justaposição e composição por aglutinação.
Adentrando neste campo conceitual, Carvalho (1956)
assinala que, na Língua Portuguesa, existem dois tipos significativos em
relação às palavras formadas por composição: a justaposição e a aglutinação.
Cunha registra, por sua vez, na “Gramática do
português contemporâneo”, que a composição seria um tipo específico de se
formar palavras. Assim, ela consistiria em
formar uma nova palavra
pela união de dois ou mais radicais. A palavra composta representa sempre uma
idéia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos
componentes. Assim, criado-mudo é o nome de um móvel; mil – folhas, o de um
doce; vitória – régia, o de uma planta; pé-de-galinha, o de uma ruga no canto
externo dos olhos (CUNHA, 1970, p. 76).
Santos, na “Gramática brasileira da língua
portuguesa”, também pontua que, no português, um dos processos formadores de
palavras é a composição. A seu ver, ao contrário de outras línguas, a
composição tem baixo rendimento em língua portuguesa, seja porque é bem extenso
o processo derivacional, seja porque o composto dificulta o sistema flexivo da
língua. Contendo mais de um radical a palavra é composta. Com um radical
apenas, a palavra é simples (SANTOS, 1980, p. 83).
SANTOS (ibidem, p. 83) constata que, na Língua
Portuguesa, a composição pode ocorrer, a partir de duas esferas: a justaposição
e a aglutinação. Aquela se refere só à aproximação de radicais diferentes,
sendo que cada um preserva a sua autonomia fonética. A esse respeito, ele cita
os vocábulos “guarda-roupa” e “porco-espinho”.
Quanto à aglutinação, o gramático focalizado registra
que seria um composto formado pela união de palavras diferentes, havendo, no
primeiro radical, a perda da autonomia fonética, assim como aconteceria com os
vocábulos “aguardente”, “pernalta” e “planalto”.
Diferença
entre palavras compostas por justaposição e aglutinação
Composição
por aglutinação
Ocorre composição por aglutinação quando há alteração
das palavras formadoras. Ocorre a fusão de duas ou mais palavras simples ou
radicais, havendo supressão de fonemas. Os elementos formadores perdem, assim,
a sua identidade ortográfica e fonológica porque a nova palavra composta apresenta
apenas um acento tônico.
·
aguardente
= água + ardente;
·
embora
= em + boa + hora;
·
planalto
=plano + alto;
·
vinagre
= vinho + acre.
Composição
por justaposição
Ocorre composição por justaposição quando não há
alteração das palavras formadoras. Ocorre apenas a junção de duas ou mais
palavras simples ou radicais, que mantêm a mesma ortográfica e acentuação que
apresentavam antes do processo de composição. A maior parte das palavras
compostas por justaposição estão ligadas com um hífen. Contudo, é possível a
escrita de palavras compostas por justaposição sem hífen ou apenas escritas
juntas.
·
arco-íris;
·
beija-flor;
·
guarda-chuva;
·
segunda-feira;
·
chapéu
de chuva;
·
fim
de semana;
Em suma a composição é o processo pelo qual a formação de palavras se dá pela união de dois ou mais radicais. Pode ocorrer por justaposição, quando não há alteração fonética nos radicais (ponta-pé = pontapé) e por aglutinação, quando há alteração fonética nos radicais (plano + alto = planalto).
Conclusão
Após a indagação feita em torno do tema em causa
concluiu-se que os principais processos de formação de palavras no português são
a derivação e a composição. A derivação é a possibilidade de formar palavras
através de outras consideradas primitivas. Já a composição diz respeito
respeito à criação de uma nova palavra, a partir de dois radicais
inter-relacionados, com significado único, configurando-se através da
justaposição ou da aglutinação.
No que concerne à justaposição, pode-se pontuar que
esse fenômeno apresenta peculiaridades próprias, dentre elas, a possibilidade
de formar palavras compostas com radicais livres, consoante se observa em
“guarda-chuva”. Individualidade esta que se fundamenta a partir de dois planos:
o escrito e o fonológico. A independência constitutiva das palavras,
perceptível a partir da escrita do sintagma nominal, é estabelecida através da
justaposição dos dois radicais, geralmente, inter- relacionados por um hífen.
Já, na pronúncia, configura-se a partir da independência fonética.
No que tange à aglutinação, afirma-se que sé um processo formador de palavras compostas através da fusão de dois radicais, a título de ilustração: “planalto” e “aguardente”. Esse agregamento constitui-se pela restrição vocabular, decorrente do aparecimento de um único acento tônico, bem como da substituição ou eliminação de fonemas, construindo-se uma nova palavra. A autonomia fonética do primeiro componente, portanto, é suplantada, sofrendo alterações em sua pronúncia. Assim, em planalto (plano + alto), há, na palavra “plano”, o apagamento da vogal “o” e da tonicidade, visto que esta é transportada para a sílaba “nal”, da palavra composta analisada. Já em aguardente (água + ardente), a palavra “água” perde a vogal “a” e sua tonicidade (água), visto que esta é apresentada na sílaba “den” da palavra composta.
Referências
CARVALHO, Q.( 1956). Nova gramática da língua portuguesa. São Paulo: Edições Rio Branco.
CUNHA, C. (1970). Gramática do Português Contemporâneo. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S.A.
SANTOS, M. dos. (1980). Gramática brasileira da língua portuguesa. São Paulo: FTD.
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