Um trabalho científico é o texto
(em sentido lato ou estrito) resultado de algum dos diversos processos ligados
à produção e transmissão de conhecimento executados no âmbito das instituições de
ensino, pesquisa e extensão universitária, formalmente reconhecidas para o
exercício dessas actividades.
As diversas finalidades do trabalho
científico podem se resumir em apresentar, demonstrar, difundir, recuperar ou
contestar o conhecimento produzido, acumulado ou transmitido.
Uma das características principais
nos trabalhos científicos é que seguem uma estrutura mais ou menos homogênea, o
que torna essencial neste presente trabalho, inserido na cadeira de Metodologia
de Investigação Científica I, abordarmos sobre os subtítulos que fazem parte de
um trabalho científico. Faremos uma breve descrição de cada um dos subtítulos
que fazem parte de um trabalho científico.
1.0.
Subtítulos de um trabalho científico
1.1.
Tema
O tema é o assunto que se deseja
provar ou desenvolver.
Para Lakatos & Marconi (2003),
o tema pode surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo coordenador, da
sua curiosidade científica, de desaftos encontrados na leitura de outros
trabalhos ou da própria teoria. [...] Independente de sua origem, o tema é,
nessa fase, necessariamente amplo, precisando bem o assunto geral sobre o qual
se deseja realizar a pesquisa.
1.2.
Título
A palavra “título”, etimologicamente,
vem do latim titulus. O título surge em primeiro lugar como anúncio ou mesmo um
rótulo. “Ele não surge por si só, mas para se referir a algo que lhe é
exterior. Normalmente, o título deve exprimir a temática específica que
determina o texto.” (CERVO & BERVIAN, 2002)
1.3.
Delimitação do tema
Cervo & Bervian (2002) afirmam
que “delimitar o tema é selecionar um tópico ou parte a ser focalizada”.
Para Lakatos & Marconi (2003):
Dotado necessariamente de
um sujeito e de um objecto, o tema passa por um processo de especillcação. O
processo de delimitação do tema só é dado por concluído quando se faz a sua
limitação geográftca e espacial, com vistas na realização da pesquisa. Muitas
vezes as verbas disponíveis determinam uma limitação maior do que o desejado
pelo coordenador, mas, se se pretende um trabalho científico, é preferível o
aprofundamento à extensão.
A delimitação do tema pode ser
feita pela sua decomposição em partes. Essa decomposição possibilita definir a
compreensão dos termos, o que implica na explicação dos conceitos. Ela também
poder ser feita por meio da definição das circunstâncias, de tempo e de espaço.
Além disso, o pesquisador pode definir sob que ponto de vista irá focalizá-lo.
“Um mesmo tema pode receber diversos tratamentos, tais como psicológicos
sociológico, histórico, filosófico, estatístico, etc.” (CERVO & BERVIAN,
2002, p. 83)
1.4.
Problematização
O problema é uma questão que
envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve
encontrar uma solução. “A formulação do problema prende-se ao tema proposto:
ela esclarece a dificuldade específica com a qual se defronta e que se pretende
resolver por intermédio da pesquisa.” (LAKATOS & MARCONI, 2003, P. 220)
Em termos gerais, uma
problematização pode ser considerada como “a colocação dos problemas que se pretende
resolver dentro de um certo campo teórico e prático.” (THIOLLENT, 1986).
1.5.
Hipótese
Hipótese é uma proposição que pode
ser colocada à prova para determinar a sua validade. Neste sentido, hipótese é “uma suposta
resposta ao problema a ser investigado.
[...] A origem das hipóteses poderia estar na observação assistemática dos factos, nos resultados de outras pesquisas,
nas teorias existentes, ou na simples
intuição”(GIL, 1999).
Segundo Lakatos e Marconi (2003),
as hipóteses podem ser:
Hipótese
Básica: o
ponto básico do tema, individualizado e especificado na formulação do problema,
sendo uma dificuldade sentida, compreendida e definida, necessita de uma
resposta, "provável, suposta e provisória", isto é, uma hipótese. A
principal resposta é denominada hipótese básica, podendo ser complementada por
outras, que recebem a denominação de secundárias.
Hipóteses
Secundárias:
são afirmações (toda hipótese é uma afirmação) complementares da básica,
podendo: abarcar em detalhes o que a hipótese básica afirma em geral; englobar
aspectos não especificados na básica e indicar relações deduzidas da primeira.
1.6.
Objectivos
Segundo Cervo & Bervian (2002),
os objectivos definem a natureza do trabalho, o tipo de problema, o material a
colectar, etc. Por meio dos objectivos, indicam-se a pretensão com o
desenvolvimento da pesquisa e quais os resultados que se buscam alcançar.
O objectivo geral está ligado a uma visão global e abrangente do tema.
Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos e eventos, quer das
idéias estudadas. Vincula-se diretamente à própria significação da tese
proposta pelo projeto. (LAKATOS & MARCONI, 2003, p. 219)
Os objectivos específicos apresentam carácter mais concreto. Têm
função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objectivo
geral e, de outro, aplicá-lo a situações particulares. (Ibidem)
1.7.
Justificativa
É o único item do projecto que
apresenta respostas à questão por quê? De suma importância, geralmente é o
elemento que contribui mais diretamente na aceitação da pesquisa pela(s)
pessoa(s) ou entidades que vão financiá-Ia. Consiste numa exposição sucinta,
porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam
importante a realização da pesquisa. (Ibidem, p. 219)
1.8.
Quadro teórico/ Fundamentação teórica/ Marco teórico
O quadro teórico é resultado da
Revisão de literatura e/ou Estado da arte sobre determinado tema de pesquisa. A
Revisão de Literatura compõe-se da evolução do tema e idéias de diferentes
autores sobre o assunto.
1.9.
Metodologias
A metodologia apresenta como se
pretende realizar a investigação. “A especifIcação da metodologia da pesquisa é
a que abrange maior número de itens, pois responde, a um só tempo, às questões
como?, com quê?, onde?, quanto?” (LAKATOS E MARCONI, 2003, p. 221)
As pesquisas, segundo o Módulo de
MIC I, UCM-CED, não são classificadas apenas pelas suas abordagens, mas também
pelos procedimentos e colecta de dados, pelas fontes de informação, quanto aos
objectivos e níveis de investigação. Todas essas classificações aprimoram a
objectividade na pesquisa.
Segundo Teixeira (2000 apud UCM-CED), quanto ao nível de
investigação podemos distinguir dois tipos de pesquisa, designidamente:
Pesquisa
básica –
na qual a finalidade é o saber em si, a satisfação da necessidade intelectual,
sem a produção de resultados de utilidade prática.
Pesquisa
aplicada –
na qual a investigação surge como necessidade de resolver ou contribuir com
soluções práticas para problemas que exigem uma intervenção imediata.
Quanto aos objectivos as pesquisas podem ser:
Pesquisa exploratória
– que, segundo Severino (2007:123 apud UCM-CED) “busca apenas levantar informações sobre um determinado objecto, delimitando
assim um campo de trabalho, mapeando as condições de manifestação desse objecto”.
Pesquisa descritiva – que visa, conforme Teixeira
(2000:118 cit. por UCM-CED) descrever as características conhecidas ou componentes no facto, fenómeno ou representação”.
Pesquisa Explicativa – é aquela que “além de registrar e analisar os
fenómenos estudados, busca identificar suas causas,
seja através da aplicação do método experimental/matemático, seja através da intepretação possibilitadas pelos métodos quantitativos” (SEVERINO: 2007:123 apud UCM-CED).
Pesquisa Prospectiva – que tem em vista acompanhar
acontecimentos, fenómenos ou eventos por um período determinado de tempo no futuro.
Pesquisa retrospectiva – que busca informações sobre eventos, fenómenos, acontecimentos passados.
Quanto oas procedimentos de colecta de dados,
as pequisas podem ser:
Pesquisas
experimentais: são
aquelas nas quais o pesquisador
intervém
de maneira activa para obter dados, controla as variáveis em uma amostra
aleatória, introduz um tratamento, ou seja, um fenómeno da realidade é
produzido de forma controlada, com objectivo de
descobrir os fatores que o produzem, ou seja, que por eles são
produzidos (TEIXEIRA: 2000:118 apud UCM-CED).
Pesquisas
quase-experimentais: Teixeira
(2000 apud UCM-CED) classifica a
pesquisa quase-experimental como sendo as que o pesquisador pode intervir de
forma activa na colecta dos dados, todavia não controla as variáveis, podendo a
amostra não ser aleatória.
Pesquisas
não-experimental: A
pesquisa não experimental estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um
dado fenómeno ou evento sem manipulá-las.
Tipos de pesquisas quanto as
fontes de informação
Para Teixeira (2000 apud UCM-CED) as pesquisas quanto as
fontes de informação podem ser classificadas em três tipos:
Pesquisa
de Campo:
na qual as fontes de informação são encontradas em seus ambientes naturais.
Pesquisa
de laboratório:
são as que as fontes de informação são encontradas em ambientes artificiais.
Pesquisa
bibliográfica:
são aquelas em que as fontes de informação são obras bibliográficas,
encontradas em livros, teses, dissertações, monografias, arquivos, internet,
etc.
De acordo com Lakatos &
Marconi (2003), o método se caracteriza por uma abordagem mais ampla, em nível
de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade. É,
portanto, denominado método de abordagem, que engloba o indutivo, o dedutivo, o
hipotético-dedutivo e o dialético.
1.12.
Técnicas de recolha de
dados
As técnicas de colecta de
dados são um conjunto de regras ou processos utilizados por uma ciência, ou
seja, corresponde à parte prática da colecta de dados (LAKATOS & MARCONI,
2003).
Durante a colecta de dados,
diferentes técnicas podem ser empregadas, sendo mais utilizados: a entrevista,
o questionário, a observação e a pesquisa documental.
1.13.
População em estudo,
Universo e Amostra
Uma “população de estudo” é
definida como o grupo que está sendo considerado para um estudo estatístico ou
raciocínio. Muitos estudos de pesquisa requerem grupos específicos para tirar
conclusões e tomar decisões com base em seus resultados. Esse grupo de
interesse é conhecido como uma amostra.
1.14.
Apresentação e análise dos
dados
A análise dos dados é uma
das fases mais importantes da pesquisa, pois, a partir dela, é que serão
apresentados os resultados e a conclusão da pesquisa, conclusão essa que poderá
ser final ou apenas parcial, deixando margem para pesquisas posteriores
(MARCONI & LAKATOS, 2003).
1.15.
Discussão dos resultados
Neste tópico, serão
descritos todos os resultados encontrados na pesquisa empírica. Esta sessão
pode ser divida didaticamente em duas partes: apresentação dos resultados e
discussão dos resultados.
A conclusão é a parte final
do trabalho e geralmente recebe o título de considerações finais. Nela são
apresentadas a síntese de toda a reflexão, as limitações do trabalho e as
sugestões para futuras pesquisas.
1.17.
Referências bibliográficas
Inclui todas as obras já
apresentadas no projecto, acrescidas das que foram sendo sucessivamente
utilizadas durante a execução da pesquisa e a redação do relatório.
Referência é o conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de materiais. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2000, p.1) na NBR6023:2000: “fixa a ordem dos elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação de informação originada do documento e/ou outras fontes de informação”.
2.0.
Conclusão
Após uma vasta indagação em torno
do tema, concluiu-se que, um trabalho científico é o texto (em sentido lato ou
estrito) resultado de algum dos diversos processos ligados à produção e transmissão
de conhecimento executados no âmbito das instituições de ensino, pesquisa e
extensão universitária, formalmente reconhecidas para o exercício dessas actividades.
Uma das características principais
nos trabalhos científicos é que seguem uma estrutura mais ou menos homogênea.
Com base em Lakatos & Marconi (2003),
Gil (1999) e Cervo & Bervian (2002), percebe-se que os trabalhos
científicos apresentam a mesma estrutura básica: introdução, desenvolvimento e
conclusão.
Além da estrutura básica dos trabalhos científicos, também se destacam os subtítulos dentro dos tais trabalhos científicos: Tema; Titulo; Delimitação do tema; Problematização; Hipótese; Objectivos; Justificativa; Quadro teórico/ Fundamentação teórica/ Marco teórico; Metodologias; Tipo de Pesquisa; Método de abordagem; Técnicas de recolha de dados; População em estudo; Universo; Amostra; Apresentação e análise dos dados; Discussão dos resultados; Conclusão e Referências bibliográficas.
3.0.
Referências
ARTUR, S. D. Metodologia de Investigação Científica I: Manual de Tronco Comum.
UCM-CED, Beira, Moçambique.
CERVO, A. L. BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5.ed. São
Paulo: Prentice Hall, 2002.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas,
1999.
KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática
da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.
LAKATOS, E. M. & MARCONI, M. de
A. Fundamentos de Metodologia
Científica. 5. ed. São Paulo. Atlas, 2003.
THIOLLENT, M. Metodologia de Pesquisa-Acão. 2. Ed. São Paulo. Cortez, 1986.
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