Introdução
O termo avaliar tem sido constantemente associado a
expressões como: fazer prova, fazer exame, atribuir nota, repetir ou passar de ano.
Esta associação, tão frequente em muitas escolas, é resultante de uma concepção
pedagógica arcaica, mas tradicionalmente dominante. Nela, a educação é concebida
como mera transmissão e memorização de informações prontas e o aluno é visto
como um ser passivo e receptivo. Em consequência, a avaliação se restringe a medir
a quantidade de informações retidas. Nessa abordagem, em que educar se confunde
com informar, a avaliação assume um caráter selectivo e competitivo.
Dentro de uma concepção pedagógica mais moderna,
baseada na Psicologia Genética, a educação é concebida como a vivência de experiências
múltiplas e variadas tendo em vista o desenvolvimento motor, cognitivo, afectivo
e social do educando. Dentro dessa visão, em que educar é formar e aprender é
construir o próprio saber, a avaliação assume dimensões mais abrangentes. Ela
não se reduz apenas a atribuir notas. A sua conotação amplia-se e desloca-se,
no sentido de verificar em que medida os alunos estão alcançando os objectivos
propostos para o processo do ensino e aprendizagem.
Neste presente trabalho, inserido na cadeira de Didáctica
Geral, visa abordar sobre a avaliação no processo de ensino e aprendizagem
onde, por via de indagação, procura-se exclarecer e explanar alguns aspectos
sobre o tema em causa. Visa também, definir a avaliação segundo vários autores
e destacando, deste modo, as suas teses sobre o assunto.
Não obstante a definição da avaliação no processo de ensino e aprendizagem, o trabalho aborda também sobre os tipos de avaliação e a importância da mesma na educação.
Avaliação
no processo de ensino e aprendizagem
O termo avaliação nos remete automaticamente ao
processo de ensino e aprendizagem porque se constituem em articulações indissociáveis
e inquietantes na práxis pedagógica dos docentes.
Embora a pedagogia contemporânea defenda uma concepção
de avaliação escolar como instrumento de emancipação, no quotidiano escolar
prevalece ainda nas práticas avaliativas, uma ênfase nas notas obtidas pelos
alunos e não na sua aprendizagem. O uso dos resultados das avaliações
encerra-se na obtenção e registro de símbolo do valor mensurável da
aprendizagem do aluno.
Estes símbolos podem ser conceitos ou notas que
expressam o valor atribuído pelo professor, supostamente, referente ao
aprendizado do aluno, encerrando-se aí o acto de avaliar que, como revela Luckesi
(2005) o valor concedido pelo professor ao aprendido pelo aluno, é registrado
e, definitivamente, o aluno permanecerá nesta situação, o que equivale a ele
estar determinantemente classificado.
Tal momento de avaliar a aprendizagem do aluno não
deve ser o ponto de chegada, mas uma oportunidade de parar e observar se a
caminhada está ocorrendo com a qualidade previamente estabelecida para esse
processo de ensino e aprendizagem para retomar a prática pedagógica de forma
mais adequada, uma vez que o objecto da acção avaliativa, no caso a aprendizagem,
é dinâmico, e, com a função classificatória, a avaliação não auxilia o avanço e
o crescimento para a autonomia. (LUCKESI, 2005)
A discussão sobre a avaliação escolar está
directamente vinculada ao processo de ensino e aprendizagem, ou seja, à prática
pedagógica do professor. Porém, muitos educadores percebem o processo em
questão de modo dicotomizado: o professor ensina e o aluno aprende.
Segundo Araújo apud
INDE/MINED (2008), a avaliação “e um instrumento que permite visualizar o
andamento do processo de ensino-aprendizagem, permitindo adequar, ou melhorar
estratégias de ensino face aos objectivos propostos, sendo assim deve ser
concebida no sentido dinâmico, contínua e sistemática.
A principal missão é permitir uma imagem possível do
desempenho dos alunos e a retroalimentação do PEA (processo de
ensino-aprendizagem).
De acordo com o mesmo autor cit. por Araújo, cumpre a
avaliação:
Aos alunos
·
Consciencializa-los
sobre os pontos fortes e fracos da sua aprendizagem;
·
Estimular
o gosto pela aprendizaem de modo a superar as dificuldades encontradas no PEA;
·
Desenvolver
atitude crítica e activa no PEA.
Aos professores
·
Identificar
o nível de desempenho dos alunos;
·
Adequar
os métodos e os meios de ensino-aprendizagem;
·
Informar
regularmente os pais sobre o progresso.
Aos pais e encarregados de educação
·
Sugerir
junto dos pais e professores formas de melhorar o processo de
ensino-aprendizagem.
Segundo Luckesi, (2005), a avaliação é definida como: “um
julgamento de valor sobre manifestações relevantes da realidade, tendo em vista
uma tomada de decisão.”
Diante disso, compreende-se que a definição do autor
exprime três elementos que oportunizam uma prática escolar baseada em actos
arbitrários e autoritários. Contudo, dentre os três, um tem maior poder de
impacto possibilitando ao professor enquanto detentor do conhecimento utilizar
em suas acções educacionais um tipo de avaliação que lhe dê uma maior
autoridade.
A avaliação na concepção de Both (2007), vem atrelada
ao processo, onde se direcciona a qualidade do desempenho sobre a quantidade de
actividades propostas, tanto para o aluno quanto para o professor, ficando em
um processo comparativo. Porém na visão do autor, o foco principal é a
qualidade do ensino, ultrapassando os limites da verificação.
Para Vasconcellos (1995) “a avaliação é, na prática,
um entulho contra o qual se esboroam muitos esforços para pôr um pouco de
dignidade no processo escolar”.
Diante dessa colocação, é significativa a percepção de
uma avaliação pautada numa perspectiva transformadora, tendo como pano de fundo
resgatar o seu papel no contexto escolar.
Em termos gerais, a avalnção é um processo de colecta
e análise de dados, tendo em vista verificar se os objectivos propostos foram atingidos.
No âmbito escolar, a avaliaçío se realiza em vários níveis: do processo
ensino-aprendizagem, do currículo, do funcionamento da escola como um todo.
A avaliação da aprendizagem do aluno está directamente
ligada à avaliaçãio do próprio trabalho docente. Ao avaliar o que o aluno
conseguiu aprender, o professor está avaliando o que ele próprio conseguiu
ensinar. Assim, a avaliação dos avanços e dificuldades dos alunos na
aprendizagem fornece ao professor indicações de como deve encaminhar e
reorientar a sua prática pedagógica, visando aperfeiçoá-la. É por isso que se
diz que a avaliaçío contribui para a melhoria da qualidade da aprendizagem e do
ensino.
Objecto
da Avaliação
Quando se fala do objecto da avaliação pretende-se
saber o que se avalia. E, nesse caso, é evidente que a avaliação dirige-se
essencialmente ao progresso nos resultados de aprendizagem demonstrando ao
longo e ao fim do ano lectivo.
Tipos de
avaliação
Avaliação
Diagnóstica: A avaliação
Diagnóstica realiza-se no ínicio do curso, do ano lectivo, do semestre, da
unidade ou dum novo tema. A valiação diagnóstica tem como objectivo verificar o
dominio de pré-requisitos necessários para a aprendizagem posteriores. Estes
pré-requisitos constituem o ponto de partida para estabelecer uma estratégia do
Processo do Ensino e Aprendizagem adequado para os alunos, de forma que o
professor possa ajudar todos os seus alunos a terem o domínio do saber, saber
fazer e saber ser/estar correspondentes a objectivos considerados fundamentais.
Avaliação
Continua ou formativa: Este
tipo de avaliação, como o nome já diz, realiza-se continuamente ao longo das
aulas Também tem uma função formativa, uma vez que dá a conhecer ao professor e
ao aluno se os objectivos estão a ser alcançados, identifica os obstáculos que
estão a comprometer a aprendizagem, estabelecendo estratégias que ajudem os
alunos e os professores a ultrapassar as dificuldades detectadas.
Esta actividade (avaliação contínua) vai revelar
problemas de aprendizagem colectivos (da turma) ou individuos. Por exemplo, o
facto de uma noção não ter sido adequada por grande número de alunos na turma
pode significar que ela é dificil ou que o professor não actua de forma
adequada.
Avaliação
Sumativa: No fim de uma
determinada etapa de aprendizagem (unidade, trimestre, semestre, ano ou curso)
chegou o momento de se “medir a distância” a que o aluno ficou da méta
pré-estabelecida, ou seja, avaliar se os objectivos traçados foram ou não
alcançados pelos alunos. Esta distância é quantificada, isto é, classificada. A
função desta avaliação é, pois, emitir um juízo de valor final.
Mas classificar pressupõe que haja um critério de como
fazer uma comparação com o que está a ser classificado num determinado quadro
de referência, e nosso caso temos a escala de valores, de notas, surgindo daí
as classificações de Muito Bom, Bom, Sufciente, Mediocre e Mau.
Importância
De acordo com Tyler (1974), o processo avaliativo
consiste em determinar em que grau os objectivos educacionais estão sendo
realmente alcançados e que os mesmos buscam produzir mudanças nos seres
humanos. Neste sentido, percebe-se a extrema importância da avaliação no fazer
pedagógico em sala de aula, pois ela busca produzir mudanças nos alunos, enquanto
sujeitos sociais.
E segundo Haydt (1997), o objectivo verdadeiro da
avaliação é integral, pois analisa e julga todas as dimensões do educando,
considerando o mesmo como um todo. Partindo desses pressupostos é possível
dizer que, a avaliação vai muito além de momentos e horas em que se deseja
avaliar, busca completar e ajudar no crescimento do ser humano em todos os seus
aspectos, sejam eles de cognição, a nível pedagógico até a socialização, a
interação de um sujeito com o outro para a construção do conhecimento.
Sendo assim, a avaliação no processo de ensino e aprendizagem é de suma importância, pois serve de mecanismo para que o professor possa detectar as dificuldades dos alunos, bem como verificar quais possibilidades esse aluno apresenta para construir novos conhecimentos e atingir os objectivos propostos pelo professor em sua prática educativa.
Conclusão
Após o estudo feito em torno do tema em causa,
concluiu-se que, a avaliação é uma componente do processo de
ensino-aprendizagem que visa, através da verificação e qualificação dos
objectivos propostos, medira melhoria progressiva da aprendizagem dos alunos e,
daí, orientar a tomada de decisões em relação às actividades didácticas
seguintes.
A avaliação é um processo que examina o grau de
adequação entre um conjunto de informações e um conjunto de critérios adequados
aos objectivos fixados, com vista a uma tomada de decisão. É importante, nesta
etapa, definir bem os objectivos, as situações e as variáveis tidas em conta
porque são pertinentes para a decisão a tomar.
A avaliação é um processo conúnuo e sistemático. Faz
parte de um sistema mais amplo, que é o processo ensino-aprendizagem, nele se
integrando. Por isso, ela não tem um fim em si mesma, é sempre um meio, um
recurso, e como tal deve ser usada. Não pode ser esporádica ou improvisada.
Deve ser constante e planejada, ocorrendo normalmente ao longo de todo o
processo, para reorientá-lo e aperfeiçoá-lo.
A avaliação é funcional, porque se realiza em função
dos objectivos previstos. Os objectivos são o elemento norteador da avaliação.
Por isso, avaliar o aproveitamento do aluno consiste em verificar se ele está
alcançando os objectivos estabelecidos.
A avaliação é uma componente muito importante do processo de ensino- aprendizagem. Ela fornece dados e informações que permitem ao professor acompanhar o desenvolvimento da aprendizagem dos alunos e também rever as metodologias de ensino usadas na sala de aulas. O bom professor avalia a aprendizagem do aluno e também a sua prática como professor, sempre no sentido de procurar obter melhores resultados.
Referências
ARAÚJO, E. A. L. de. Didáctica Geral: Manual de Tronco Comum. UEM: CED, Beira,
Moçambique.
BOTH, I. J.. Avaliação
planejada, aprendizagem consentida: a filosofia do conhecimento. 1ª Edição,
Curitiba, PR: IBPEX, 2007.
HYDT, R. C. Avaliação
do processo do ensino-aprendizagem. Sõ Paulo: Ática, 1997.
KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática
da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.
LUCKESI, C. C.. Avaliação
da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 17. Ed. São Paulo: Cortez,
2005.
TYLER, R.. Princípios
básicos de currículo e ensino. Porto Alegre: Globo, 1974.
VASCONCELLOS, C.. Avaliação:
concepção dialética libertadora do processo de avaliação escolar. 18ª. Ed. São
Paulo: Libertad, 1995.
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