12 junho, 2020

Meteorização


O  presente trabalho  insere-se na  cadeira  de  Geologia,  e visa  abordar  conteúdos  concernentes  a  processos  de  formação de  solo,  em  específico,  a  Meteorização  como foco para o seu desenvolvimento.
Quando se procura entender as razões das diferenças e da diversidade dos solos é indispensável analisar quais são os factores que influem na sua formação e evolução.
“Uma definição de solo que ponha a ênfase nos seus factores de formação permite-nos considerá-lo como o material mineral ou orgânico, não consolidado, existente à superfície da terra, que esteve sujeito e evidencia o efeito da acção do clima (cl) e de macro e microorganismos (o), que actuaram sobre o material originário do solo (p), de forma condicionada pelo relevo (r), ao longo de um dado período de tempo (t)” (Sampaio apud SSSA, 1997).
Assim, cada propriedade do solo (s) pode ser expressa em termos conceptuais como uma função dos referidos factores de formação do solo (Jenny, 1941):
s = f (cl, o, r, p, t, ...)
Segundo Jenny (1941) as reticências significam outros factores que pontualmente podem também ser relevantes. Nomeadamente, em muitos solos sujeitos a intervenções humanas significativas, o homem passa a ser outro factor de formação do solo a considerar.
A evolução pode acontecer sem existir a camada R (rocha consolidada e dura), terminando o perfil na camada C (material originário do solo). Isto pode suceder, por exemplo, se o solo se formar sobre um material de origem sedimentar e a camada R estiver apenas a uma profundidade tal que não influi na formação do solo.
Atendendo à situação topográfica pode suceder que o solo vá sofrendo erosão e, portanto que se verifique alguma diminuição da espessura relativamente ao nível original. No entanto caso o perfil se situe numa zona de vale, já será admissível que, pelo contrário, ocorradeposição de material aumentar a espessura e até, fazendo subir a superfície do solo.
Isto significa que para entender a formação do solo é indispensável considerar não só os fenómenos que ocorrem no próprio perfil mas que, de um modo geral, o solo é o resultado de um balanço entre processos de formação e processos de degradação, como é o caso da erosão, entre muitos outros.
Compreender os processos de formação de solos: Meteorização.
·         Identificar os tipos de Meteorização;
·         Descrever os factores que influenciam a meteorização. 
·         Quais são os tipos de meteorização?
·         Quais são os factores que influenciam a meteorização?
Este trabalho mostra‒se relevante, pois vai ajudar na percepção de Meteorização  como  um  processo  de  formação  dos solos.   Não  obstante,  numa  perspectiva  académica,  o  presente  estudo  ira contribuir  com  os  seus  conteúdos  ajudar  na  reflexão  relacionado ao  tema,  e  vai  servir  como  um  suporte  teórico  para  outros estudantes  com  o  tema  semelhante  que  possam  consultar  para desenvolverem  os  seus  trabalhos.
Meteorização
Processos de formação de solo
“Meteorização  é o conjunto  dos processos  de  decomposição  química  e  degradação  física  que  os materiais  rochosos  sofrem  quando   expostos  ao  ar,  humidade  e matéria orgânica.” Sampaio apud Vasconcelos  (2001).
“Meteorização  é  o  processo  pelo  qual  as  rochas  se  fragmentam  e adaptam  à  superfície  da  Terra,  de  forma  a  procurarem  um equilíbrio estável à superfície” (Sampaio, 2011)
Meteorização é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e solos, e seus minerais constituintes, por acção dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da sua exposição aos agentes externos (no que se inclui factores antropogénicos, isto é devido direta ou indiretamente à acção humana ou natural). Em resumo, é um fenômeno natural a que estão sujeitos todos os materiais geológicos quando expostos à acção combinada da atmosfera, da hidrosfera, da biosfera e da antroposfera, de forma permanente e generalizada, por toda superfície terrestre.
À medida que se aproximam da superfície do planeta, as rochas vão procurando adaptar-se às condições existentes à superfície, onde as pressões baixas, as temperaturas baixas e variáveis e a abundância de água, contrastam de um modo geralmente bastante drástico com as condições que presidiram à génese dessas mesmas rochas.
A Meteorização é, então, o processo pelo qual as rochas se fragmentam e adaptam à superfície da Terra, de forma a procurarem um equilíbrio estável à superfície. Como produtos resultantes da Meteorização tem-se: solos; minerais argilosos e substâncias químicas dissolvidas e em suspensão transportadas pelos rios até ao oceano.
Há dois tipos fundamentais de meteorização: a física e a química.
 A Meteorização Física ou desagregação, é o conjunto de processos que causa a desintegração das rochas, sem alteração de sua composição química. O processo primário na Meteorização Física é a abrasão (o processo pelo qual clastos e outras partículas são reduzidas em tamanho).
Na Meteorização Física os produtos resultantes deste processo apresentam a mesma composição química da rocha original, ocorrendo apenas uma acção mecânica, que leva à facturação das rochas em fragmentos mais pequenos.
Neste tipo de meteorização, as acções físicas são preponderantes. O material sofre ruptura devido à actuação de agentes de meteorização mecânica de diversas origens. Os mecanismos mais importantes são: Fissuração e Desagregação
A fragmentação de um bloco rochoso é acompanhada por um aumento significativo de superfície exposta à acção dos agentes meteóricos. Podem, portanto, actuar em todo o globo embora com actuações mais reduzidas do que a actividade química. Iniciam, por vezes, a meteorização de uma dada rocha pois promovem a fragmentação, a qual abre canais que deixam penetrar a água e o ar (agentes de meteorização química), facilitando a reacção com os minerais.
Algumas forças são originadas no interior das rochas (intensidade); outras são aplicadas externamente (capacidade).
É muito importante ter a consciência sempre presente de que, o material perde a coerência sem modificação das composições química e mineralógica iniciais.
·         Encunhamento de gelo – Crioclastia;
·         Efeitos térmicos – termoclastia (insolação);
·         Exfoliação;
·         Meteorização esferoidal;
·         Haloclastia;
·         Humedecimento e secagem sucessivos.
Encunhamento de gelo – Crioclastia (expansão volumétrica da água quando congela em espaços confinados)
A água contida nos poros e nas fracturas das rochas, quando gela vai sofrer cerca de 9% de expansão, o que conduz a pressões que chegam a atingir os 110 Kg/cm2. Este processo de expansão alarga as descontinuidades iniciais (poros, fissuras das rochas) e cria outras, permitindo a penetração de mais água, que por sua vez vai gelar. É bastante importante em rochas permeáveis em regiões frias de alta montanha acima da zona com vegetação, onde normalmente existem mudanças bruscas de temperatura em torno do ponto de congelação.
Efeitos térmicos – termoclastia (insolação)
A alternância de aumentos e diminuições de temperatura durante um ciclo diurno podem levar, respectivamente à contracção e expansão das rochas, conduzindo à sua ruptura.
As modificações de temperatura verificam-se em vários aspectos:
·         Existência de gradientes de temperatura entre a superfície e o interior da rocha;
·         Diferentes coeficientes de expansão térmica dos minerais constituintes;
·         Amplas variações de temperaturas diurnas.
Exfoliação
Resulta do alívio da pressão confinante a que estão sujeitas as rochas, devido à remoção do material suprajacente.
 Esta remoção pode ser natural (é o caso da erosão nas montanhas) ou artificial (é
o caso das grandes pedreiras a céu aberto).
A descompressão causada pela saída do  material que estava por cima, provoca a expansão do material e a formação de fracturas subparalelas à topografia.
Meteorização esferoidal
É semelhante à anterior mas a fragmentação da rocha produz fragmentos curvos, geralmente em menor escala que o processo anterior.
Pensa-se que estes dois processos são em parte resultado de uma desigual distribuição da expansão e contracção das rochas,  motivadas por meteorização química e modificações de temperatura
Haloclastia – cristalização, crescimento e hidratação de sais em espaços confinados – Comum em regiões quentes desérticas.
Nas rochas porosas pode entrar água com sais dissolvidos. Durante o dia, com o aumento da temperatura pode dar-se a evaporação da água com um crescimento e cristalização dos sais contidos.

Humedecimento e secagem sucessivos.
O processo inicia-se num momento de humedecimento onde existem simultaneamente, uma camada de água ordenada à volta dos minerais e água desordenada fora da acção das partículas. Ao dar-se a secagem, o excesso de água é drenado mas a camada de água ordenada mantém-se à volta da partícula provocando contracção do material. Quando volta a haver condições
para um novo humedecimento do solo, a água renovada constrói uma nova camada de água ordenada, a qual, fica dupla e daí resulta uma maior ordenação das moléculas de água, que por sua vez assume uma natureza “quase cristalina” e exerce uma força expansiva contra as paredes do mineral que entra em ruptura.
Os processos de meteorização química ocorrem com a presença da água e Dióxido de carbono (CO2), dependendo de sua ação de decomposição juntamente ao gás carbônico dissolvido e, em alguns casos, de ácidos orgânicos formados pela decomposição de resíduos vegetais. Dado que a decomposição química se processa na superfície dos minerais, quanto maior a fragmentação da rocha por processos físicos, maior será a intensidade doa meteorização química.
Na meteorização química, os produtos resultantes deste processo apresentam uma composição química diferente da das rochas originais, o que é devido a terem ocorrido reacções químicas entre a rocha e os elementos da atmosfera.
A meteorização química, implica a destruição da estrutura interna dos minerais e a formação de novas estruturas. Deste modo, a composição química da rocha é alterada, o que provoca mudanças na sua aparência física. Em todo este processo, a água vai ser o agente principal, com efeito, ela não só toma parte directa nas reacções químicas, como também funciona como meio de transporte para os elementos químicos da atmosfera e favorece a remoção da zona alterada das rochas, expondo novas superfícies. Assim, o grau de meteorização química vai depender da taxa de precipitação.
·         Hidratação;
·         Dissolução e Solubilização;
·         Oxidação;
·         Hidrólise.
Hidratação
As moléculas de água entram na estrutura mineral, modificando-a e formando outro mineral. Ocorre por atracção entre os dipolos das moléculas de água e as cargas eléctricas não neutralizadas da superfície dos grãos.
Exemplo: Formação de minerais argilosos – estes incorporam parte da água (OH)- na sua estrutura.
A hidratação envolve mudança de volume do mineral e prepara a superfície dos minerais para outras alterações.
Dissolução e Solubilização
Os materiais rochosos libertam vários elementos que não reagem uns com os outros, mas passam directamente para a solução. É muito comum em calcários.
Pode ocorrer por acção da:
a)      Água corrente;
b)      Película de água em redor das partículas.
A composição da solução final é igual à Composição do mineral inicial. Se os calcários não forem puros, vão ficar com muitos resíduos do tipo: minerais argilosos; quartzo; sílex; óxidos de Fe. Estes são libertados e concentram-se nas fendas/cavidades do calcário, dando origem à Terra-rossa.
Oxidação
É a reacção entre o oxigénio da atmosfera ou o dissolvido na água, com os minerais. A nível dos elementos químicos importantes neste tipo de reacções, é de destacar o caso do ferro, o qual aparece sob a forma de Fe2+ nos silicatos ferro-magnesianos e de Fe3+ quando alterado em atmosferas oxidantes.
Hidrólise
Consiste na reacção química entre um mineral e a água, formando novos minerais – minerais secundários – minerais argilosos.
É o agente de alteração mais importante pois a partir da síntese dos iões libertados formam-se novos minerais mais adaptados às condições da superfície terrestre: minerais secundários que resultam em minerais argilosos e/ou em óxidos de alumínio e ferro.
A hidrólise ocorre porque a água tem tendência a dissociar-se: (H2O→H++OH-). Os iões do mineral vão-se combinar com os iões H+ e OH- da água. Para além disso, a água da chuva em contacto com o CO2 atmosférico forma ácido carbónico, tornando as gotas levemente ácidas e, portanto, com maior tendência a dissociar os minerais.


Os factores que infuenciam a meteorização correspondem ao conjunto de elementos naturais que interferem ou determinam a forma e a intensidade de ocorrência dos processos intempéricos. O estudo e o conhecimento desses elementos são de grande necessidade para a previsão das sucessivas transformações do relevo e o planejamento sobre a sua ocupação por parte das actividades humanas, além de ser importante para compreender a evolução da morfologia do planeta.
Sendo assim, os fatores que controlam a meteorização são: o clima, o material parental, o relevo, a biosfera e o tempo.
Clima
A influência do clima sobre a meteorização acontece com base na variação e regularidade dos agentes meteorológicos ao longo do tempo, a saber: a temperatura, a precipitação e os ventos. Desse modo, o processo de desgaste do relevo e a sequencial erosão apresentam-se de diferentes formas e intensidades a depender da região climática em que eles se manifestam.
A meteorização química – aquela em que ocorre a dissolução das rochas a partir de vários processos distintos , costuma manifestar-se mais intensamente quando a temperatura e o índice de chuvas são mais acentuados, em uma relação de proporcionalidade directa. Já a meteorização física– a quebra mecânica das rochas em sedimentos, ocorre mais intensamente quando há uma menor actuação das chuvas e menores temperaturas, em uma relação de proporcionalidade inversa. Os ventos, por sua vez, acarretam a intensificação da própria meteorização física.
Material parental
O material parental ou seja, a constituição física da rocha que será meteorizada determinará a intensidade da acção da meteorização, haja vista que existem formações rochosas mais resistentes e outras menos resistentes à acção dos agentes exógenos de transformação do relevo. Isso explica, por exemplo, por que partes distintas de uma mesma estrutura sofrem níveis de desgaste diferentes ao longo do tempo, como em serras, escarpas e chapadas.
O grau de resistência das rochas à acção meteórica depende de seus minerais constituintes e dos seus respectivos níveis de estabilidade físico-química. Os minerais que se cristalizam mais rapidamente são os mais suscetíveis, tais como a ovilina, a calcita e o anfibólio. Já os minerais mais resistentes à meteorização são aqueles que se cristalizam em temperaturas menores, mais próximas a 500ºC, com destaque para os óxidos de ferro, os hidróxidos de alumínio e o quartzo.
Essa configuração faz com que o granito, por exemplo, seja mais resistente à meteorização do que o mármore, pois o primeiro tipo de rocha é composto por materiais silicáticos e o segundo é formado por minerais carbonáticos.
Relevo
As formas altimétricas de relevo, ou seja, a topografia interferem na meteorização principalmente a partir da regulação do escoamento, infiltração e drenagem da água. Paisagens geomorfológicas muito íngremes apresentam uma menor infiltração da água em razão da maior velocidade do escoamento, no caso, da água das chuvas. Já terrenos mais planos facilitam essa infiltração, mas a drenagem dependerá da porosidade das rochas e do seu nível de profundidade.
As formas de relevo com maior infiltração e drenagem favorecem a meteorização química. Quando essa drenagem é menor, esse tipo praticamente não ocorre. A meteorização física é mais frequente quando a infiltração é praticamente nula e o escoamento superficial é mais intenso. Portanto, áreas mais íngremes são mais suscetíveis à meteorização física e os ambientes mais planos e permeáveis sofrem com mais frequência a meteorização química.
Biosfera
A Biosfera é, sem dúvidas, um dos mais reconhecidos e discutidos factores da meteorização. A influência dos seres vivos sobre esse processo é tão relevante que muitos autores definem um tipo específico: a meteorização biológica, embora esse invariavelmente resulte em uma meteorização química ou física. Nesse sentido, a principal influência é da vegetação, além da presença de micro-organismos no interior dos solos e das rochas.
A presença de material orgânico nos solos aumenta ou diminui a sua acidez, bem como interfere na composição química da água durante o processo de infiltração. As raízes das plantas intensificam a meteorização química ao seu redor, embora a sua presença contribua para a redução da meteorização física por diminuir a velocidade de escoamento da água sobre a superfície.
Tempo
O tempo, nesse caso, diz respeito à velocidade em que o processo de meteorização acontece, ou seja, a quantidade de tempo que ele leva para manifestar-se e gerar os seus impactos sobre as estruturas rochosas. Obviamente, a menor resistência do material parental e a maior agressividade dos agentes meteorógicos provocarão uma reação mais rápida e vice-versa. No entanto, existem outras condições relacionadas com essa questão, que são basicamente a síntes dos factores anteriormente citados.
Além disso, o tempo de exposição das rochas a meteorização é de suma importância. Afinal, a dinâmica do relevo provocada pelo tectonismo, pelos movimentos de massa e pelas variações climáticas e meteorológicas determinará os efeitos desse processo sobre as composições geomorfológicas, no sentido de desgastá-las mais ou menos intensamente com o passar das eras geológicas.
Após  estudo  aprofundado  do  tema,  conclui-se  que   a  alter ação  das  rochas,  denominada meteorização,  corresponde  às  modificações  físicas e/ ou  químicas causadas,  nas  rochas, pelos agentes  de  meteorização - a  água,  o  vento,  as  mudanças  de   tempera tura  e  a  acção  dos  seres  vivos. De  acordo  com  o  seu  modo  de  actuação  e  com  os  produtos  que  originam,  os  agentes  de meteorização  podem  ser  classificados  em  físicos  (provocam  fragmentação)  e  químicos (provocam alteração química), existindo,  por isso, dois tipos  de  meteorização: a  meteorização física e a meteorização química.  Conclui-se  também  que  existem  alguns  factores  que  contribuem  para  a  meteorização, que  são,  o clima, o material parental, o relevo, a biosfera e o tempo  cada  factor  agindo  da  suma forma para a contribuição da existência de meteorização.
Fatores de meteorização in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-03-26 11:50:04]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$fatores-de-meteorizacao
 JENNY, H. (1941). Factors of soil formation. Mc. Graw Hill, New York
Meteorização in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-03-26 10:16:31]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/$meteorizacao
PENA, Rodolfo F. Alves. "Fatores que controlam o intemperismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/fatores-que-controlam-intemperismo.htm. Acesso em 26 de março de 2020.
SAMPAIO, Elsa. Formação do solo – Processo de meteorização: Departamento de Geociências. Universidade de Évora. 2011
VASCONCELOS, L. (2001). Manual de apontamentos de Geologia geral. Maputo   Mutumucuio, I.V. (2008). Disponível em:

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