Introdução
Este
é o trabalho de Climatologia, nele vai tratar sobre a importância da mesma para
o desenvolvimento sócio-económico duma sociedade. Fenómenos Enso e suas
consequências em Moçambique também e um dos temas que serão abordados neste
trabalho.
A
Climatologia é um dos ramos da Geografia física que estuda o Clima e o Tempo.
Para compreendermos melhor é necessário
entender as definições de Clima e Tempo, de Ayoade, 1996, que diz que “Por tempo (weather) nós entendemos o estado médio
da atmosfera numa dada porção de tempo e em determinado lugar. Por outro lado,
clima é a síntese do tempo num dado lugar durante um período de aproximadamente
30-35 anos. (...). O clima abrange um maior número de dados do que as condições
médias do tempo numa determinada área. (...) Desta forma, o clima apresenta uma
generalização, enquanto o tempo lida com eventos específicos.”
Ainda de acordo com Ayoade (2003), na ciência da atmosfera, usualmente é
feita uma distinção entre o Tempo e o Clima, e entre a Meteorologia e a Climatologia.
Por Tempo entende-se um conjunto de valores que num dado momento e num certo
lugar, caracteriza o estado atmosférico. Assim, o Tempo é uma combinação curta
e momentânea dos elementos que formam o Clima, ou seja, é um estudo particular
e efêmero da atmosfera.
Clima, segundo Hann apud Silva
(2004), “é um estado médio dos elementos atmosféricos durante um período
ralativamente longo, sobre um ponto da superfície terrestre”. Koppen apud Silva (2004), afirma que “Clima é o
somatório das condições atmosféricas de um determinado lugar”. Para Poncelet apud Silva (2004), “é o conjunto dos
elementos físicos, químicos e biológicos que caracterizam a atmosfera de um
local e influência nos seres que nele se encontram”.
De acordo com Barbosa e Zavatine (2000), a tradicional concepção do Clima,
como um conjunto de fenómenos meteorológicos que caracterizam o estado médio da
atmosferea em um ponto da superfície terrestre, foi substituída pelas idéias de
Sorre (1951), que propôs a reformulação do conceito de Clima como sendo “a
série dos estadosatmosféricos acima de um lugar em sua sessaão habitual”. Assim
foi incorporada a noção de rítmo à Climatologia, dando origem a uma nova
abordagem, baseada no dinamismo da actuação dos sistemas atmosféricos e dos
tipos de tempos produzidos.
Neste contexto, a Climatologia tem o Clima como o objecto de estudo.
Objectivos
Objectivos Gerais:
·
Conhecer
a importância do estudo da Climatologia para o desenvolvimento duma sociedade;
·
Conhecer
os fenómenos Enso.
Objectivos Específicos:
·
Identificar
a importância do estudo da Climatologia;
·
Identificar
os fenómenos Enso;
·
Descrever
a origem dos fenómenos Enso,
·
Destacar
o impacto dos fenómenos Enso em Moçambique.
Metodologias
O presente trabalho baseou-se no estudo bibliográfico de várias fontes
citadas nas referências bibliográficas, onde por via de indagação, procurou-se
o esclacimento sobre o tema em causa.
Importãncia do Estudo da Climatologia
A Climatologia é uma ciência muito importante, pois diversas actividades
humanas (agricultura, economia, comércio, etc) dependem de dados do Clima para
tomar atitudes. Um Agricultor, por exemplo, necessita de informações do clima
para saber quando, quanto e como poderá plantar e colher determinado gênero
agrícola.
Com o uso da tecnologia moderna, principalmente
dos satélites, a Climatologia actual vem oferecendo dados e informações cada
vez mais precisas sobre chuvas, secas, temporais, furcoes, ciclones,etc. As
informações de médio e longo prazo, que antes não eram exactas, agora são
geradas com alto grau de acerto pela Climatologia.
Com as mudanças climáticas que temos
verificado nas últimas décadas, principalmente o aquecimento global, a Climatologia
tornou-se ainda mais importante. Esta ciência oferece dados capazes de
sinalizar para o aumento ou diminuição das temperaturas em nosso planeta.
Fenómenos Enso em Moçambique
A interacção entre o
comportamento de anomalias de
Temperatura da Superfície
do Mar no Pacífico
tropical e dos
ventos alísios na região do
Pacífico Equatorial entre
a costa do
Peru e no Pacífico Oeste próximo à Austrália,
constitui o fenómeno de interacção oceano-atmosfera denominado El
Niño Oscilação Sul
(ENSO) (Couana apud LOPES, 2006;
Marengo, 2007). Este
fenómeno divide-se em
duas fases, nomeadamente El Niño
(fase quente) e La Niña (fase fria).
Os fenómenos El Niño e La Niña são oscilações
normais, previsíveis das
temperaturas da superfície do mar,
nas quais o homem não
pode interferir.
O fenómeno El
Niño é caracterizado
por um aquecimento
anómalo, atingindo 25ºC,
das águas superficiais e
sub-superficias do Oceano Pacífico Equatorial e o La Niña com características
opostas ao EL Niño, é caracterizado pelo arrefecimento anómalo, diminuindo para
cerca de 23 a 22ºC, das águas superficiais
do Oceano Pacífico
Equatorial (Couana apud Marengo, 2006).
Na ausência do
El Niño e
La Niña estamos perante a fase
neutra (Couana apud De Paula, 2009).
O El Niño é um evento climático natural
que ocorre no Oceano Pacífico, podendo ser definido como um aquecimento anormal
das suas águas, seguido pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Tais
alterações modificam o sistema climático de distribuição das chuvas e de calor
em diversas regiões do planeta.
O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é uma
alteração natural e cíclica nas porções central e leste do Oceano Pacífico.
Fundamentalmente, ocorre um maior aquecimento de suas águas, de pelo menos 1
grau Celsius, tomando como referência a média térmica desse oceano, que é de
23°C. Seu nome remete ao menino Jesus, pois sua descoberta está associada às
observações de pescadores e marinheiros peruanos, que notaram o aquecimento das
águas do mar e a consequente redução da quantidade de peixes na época do Natal.
O
El-Nino, causa fenómenos como
secas e enchentes
em várias partes
do globo. Ele, normalmente ocorre
em intervalos médios de 4 anos e persiste de 6 a 15 meses, contudo a sua
frequência é em intervalos de tempo irregulares, sendo mais comum de 3 a 5
anos, podendo ser de 2 a 12 anos. A frequência e a intensidade dos eventos El
Niño e La Nina aumentaram ao longo do século XX, o que gerou muitas pesquisas
para investigar a existência da relação com as mudanças climáticas globais
(Mazive apud Christopherson, 2012).
O fenómeno El-Nino tem abrangência
mundial uma vez que afecta as oscilações atmosféricas de toda a faixa tropical
do planeta e de regiões fora dos trópicos. Comumente associa-se a este fenómeno
os episódios de secas nas regiões da Indonésia, leste da Austrália, sudeste
Asiático, sudoeste da África e nordeste da América do Sul bem como as chuvas
excessivas no Pacifico central, nas costas do Peru e Equador, sudeste da
América do Sul, sudeste dos Estados Unidos da América e nordeste da África
(Mazive apud Madeiros, 1998).
Histórico do fenómeno El Niño
Os pescadores peruanos já conviviam com esse fenômeno que causava uma diminuição na quantidade de peixes na
Costa do Peru, sempre na época do
Natal, e por isso lhe deram
o nome de “El Niño”
(que quer dizer “menino- Jesus”, em
espanhol). O “El
Niño” dura, em média, de
12 a 18
meses com intervalos cíclicos
de 2 a 7 anos.
No geral, quando
ocorre o fenômeno
há mudanças no clima,
os impactos são
diferentes em diversas
partes do globo terrestre como,
por exemplo, secas
no sudeste asiático, invernos mais quentes na América do norte e temperaturas elevadas na costa oeste da América
do sul. Todas essas mudanças ocorrem
devido ao aumento da
temperatura na superfície
do mar nas águas do
Pacífico equatorial, principalmente, na
região oriental. Por
outro lado, observa-se
diminuição da pressão atmosférica
e aumento na temperatura do ar sobre o Pacifico oriental. Estas mudanças
provocam alterações na direção e velocidade dos ventos em nível global fazendo com que as massas de
ar modifiquem seu comportamento em
várias regiões do planeta.
Origem
Não há uma única teoria que defina a
origem do El Niño, existindo diversas hipóteses como ciclos solares, erupções
vulcânicas, acúmulo sazonal de águas quentes no Oceano Pacífico e quedas de
temperatura na Ásia Central. Registros paleoclimáticos, históricos,
arqueológicos e relatos de navegadores apontam para a sua ocorrência há mais de
500 anos. Esses apontamentos envolvem
mudanças nas forças dos ventos, transformações na quantidade e intensidade de
chuvas, secas, enchentes, atividade pesqueira e produção agrícola. O El Niño
está relacionado até mesmo à crise agrícola que ajudou na decadência da
civilização Maia.
Como o El Niño se desenvolve?
Em primeiro lugar, é importante
compreendermos o conceito de pressão
atmosférica: alta pressão e baixa pressão. A alta pressão do ar pode ser
definida como uma camada de ar frio e denso que se dirige em direção à
superfície, movimento conhecido como subsidência (descida) do ar frio. Esse
movimento promove o deslocamento dos ventos em direção às zonas de baixa
pressão, onde o ar mais quente e menos denso tende a sofrer ascendência
(subir), contribuindo para a formação de chuvas.
O aquecimento das temperaturas provocado
pelo El Niño influencia o sistema de alta pressão subtropical, localizado a 30°
de latitude. O enfraquecimento das altas pressões diminui a força dos ventos
alísios, que têm a sua origem nessa região subtropical. Os alísios são ventos que sopram dos trópicos
em direção ao Equador, sendo responsáveis por carregar calor e humidade em
direção às áreas equatoriais. No Oceano Pacífico, eles são fundamentais para a
ocorrência de chuvas na Oceania e Sudeste Asiático.
Características do El Niño
O El-Nino caracteriza-se pelo aquecimento
acima do normal das águas oceânicas no sector centro leste do Oceano Pacifico
Tropical, desde a costa da América do Sul (próximo ao Peru e Equador) até
aproximadamente a Linha da Data (longitude de 180 graus). Os ventos alísios se
enfraquecem nas regiões Ocidental e Central do Pacífico, o que aumenta a
profundidade que as águas quentes atingem no Leste e, por sua vez estadiminui
no Oeste (Varejão-Silva, 2005).
A temperatura da superfície do mar
eleva-se e as chuvas seguem as águas quentes em direcção ao leste, o que
implica cheias no Peru e secas na Indonésia e Austrália. O deslocamento da
fonte de calor, correspondente às águas mais quentes, em direcção ao Leste
resulta em grandes mudanças na circulação da atmosfera global, o que provoca
mudanças no tempo em regiões bem afastadas do Pacífico Tropical (Varejão Silva,
2006).

Figura1: Esquema de
fase El Niño (Ambrizzi, 2016)
Consequências do El Niño em Moçambique
O El Niño de 2015-2016 provavelmente seja o mais
forte registado nos últimos 18 anos e, segundo os especialistas, deve ficar
entre os três mais poderosos de que se tem conhecimento (Serra, 2016).
“Pelo
menos 176.139 pessoas estão em insegurança alimentar aguda, aquela que é
considerada preocupante. Estas vítimas estão distribuídas pelas províncias de
Gaza (77.365 pessoas), Inhambane (75.565 pessoas), Sofala (14.006 pessoas) e
Niassa (9.203 pessoas). Estes números poderão aumentar nos próximos meses
dependendo do comportamento da presente época chuvosa, uma vez que a maioria
dos agregados familiares em risco tem como principal fonte de alimentos básicos
a produção própria. A título de
exemplo, nas províncias
de Gaza e Inhambane, os
números de pessoas
em insegurança alimentar subiu de Maio para Novembro de 2015, tendo
passado de 66.119 para 75565 pessoas em Inhambane, e de 71.665 para 82.377
pessoas em Gaza” (IVAIRS,2016).
No que se refere ao estado das bacias hidrográficas
(rios e zonas adjacentes), o Ministério de Agricultura e
Segurança Alimentar, fez saber que
a situação mostrava que o ano hidrológico 2016 era atípico para as
bacias hidrográficas da região Sul de Moçambique pois, os escoamentos
situavam-se muito abaixo da média dos anos mais secos (1991/1992 e 1997/1998)
em que se registou fenómenos El-Nino (IVAIRS, 2016). Na realidade, em
Moçambique no período 2015/2016 verificou-se uma disparidade de consequências
do El-Nino visto que, a região Norte registou cheias e as regiões Sul e Centro
do Pais, foram assolados pelas secas (Matias, 2016).
De acordo com estudos feitos por Benessene
(2002), em Moçambique, a grande parte da variabilidade interanual da
precipitação está associada ao fenómeno ENSO. Na fase quente (El Niño), a maior
parte do país, apresenta desvios negativos da precipitação em relação a média
climatologica, predominando altas temperaturas e consequentimente secas
(Alberto et al. , 2007). Tomando como exemplo os anos de 1982, 1983, 1984, 1992
e 1993, 1997 e 1998 foram anos de episódios mais intensos e causar am secas, lembrando que
no ano de
1997 ocorreu o
El Niño mais
intenso da história
mas os seus
impactos fizeram- se sentir em 1998 (Benessene, 2002). Segundo o mesmo
autor (Benessene, 2002), durante o
período de ocorr ência de La Niña (fase fr ia), as zonas Centro e Sul do País tendem a apresentar desvio positivo
de precipitação em relação a média, com maior
impacto na zona Sul. As temperaturas são inferior es em relação aos anos
de El Niño. Por exemplo, os eventos ocorridas nos anos de 1964/1965, 1970/1971,
1973/1974, 1984/1985, 1988/1989, 1995/1996 e o mais intenso em 1999/2000, que
causaram cheias. Quando o El Niño e o
La Niña não ocorrem, o país apresenta desvios negativos de precipitação
nas provincías de Niassa,
Tete, Inhambane e
Gaza. Nas restantes
províncias com desvio
positivo da precipitação, com
maior impacto na província da Zambézia.
Conclusão
Com base nos estudos feitos no presente
trabalho, conclui-se que o estudo da Climatologia é de suma importância
para o desenvolvimento de uma sociedade.
Os estudos climatológicos referem-se, de uma maneira geral, a territórios mais
ou menos vastos a aplicam-se a um período de tempo longo.
Em resumo, o Clima e o Tempo atmosférico
são duas formas complementares de descrever o ambiente atmosférico, utilizando
essenceialmente os mesmos elementos (pressão atmosférica, temperatura,
humidade, precipitação, radiação, etc), mas fazendo referência a diferentes
escalas de tempo.
O fenómeno El Niño contribui para redução
da quantidade de precipitação (secas), enquanto La Niña para o aumento da mesma
(cheias), em todas as estações estudadas. Contudo, observaram- se também anos em
que ocorreu La
Niña, mas no entanto,
verificou-se diminuição na quantidade
de precipitação. Nos
anos em que ocorreu El
Niño verificou-se aumento na
quantidade da precipitação.
Estes factos podem
ser atribuídos a
dependência da precipitação a
outros factores (locais e regionais) como a continentalidade, frentes,
anticiclones, ciclones tropicais e outros.
Referências Bibliográficas
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia
para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 332p.
COUANA, A.E. Influência do ENSO sobre a Precipitação nas cidades de Maputo, Beirae
Lichinga. Tese de Licenciatura em Meteorologia. Faculdade de Ciências.
Departamentento de Física. Universidade Eduardo Mondlane. 2015.
IVAIRS, A
dura seca em
Moçambique. [online] Disponível
na Internet Via
www. URL:
https://ivairs.wordpress.com 22 de Março de 2020.
MAZIVE, D.P. Estudo da Influência El Niño na Produção agrária na Província de Gaza.
Licenciatura em Ensino de Físicacom Habilidades em Ensino de Matemática.
Universidade Pedagógica. 2017. Disponível na internet via https://www.academia.edu/37889747/INFLUENCIA_DO_EL_NINO_NA_PRODUCAO_AGRARIA_MONOGRAFIA_DANIEL_MAZIVE
SILVA, Júlio César Lázaro da. "El
Niño"; Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/el-nino.htm. Acesso em 21 de Março de
2020.
QUEREDA SALA,
José. Curso de Climatologia general. Castelló de la Plana:
Publicacions de la Universitat Jaume I, D.L. 2005. Disponível em : https://www.infoescola.com/ciencias/climatologia/ . Acesso em
22 de Março de 2020.
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