12 junho, 2020

Climatologia: Fenómenos Enso e suas consequências


Introdução
Este é o trabalho de Climatologia, nele vai tratar sobre a importância da mesma para o desenvolvimento sócio-económico duma sociedade. Fenómenos Enso e suas consequências em Moçambique também e um dos temas que serão abordados neste trabalho.
A Climatologia é um dos ramos da Geografia física que estuda o Clima e o Tempo.
Para compreendermos  melhor é necessário entender as definições de Clima e Tempo, de Ayoade, 1996, que diz que Por tempo (weather) nós entendemos o estado médio da atmosfera numa dada porção de tempo e em determinado lugar. Por outro lado, clima é a síntese do tempo num dado lugar durante um período de aproximadamente 30-35 anos. (...). O clima abrange um maior número de dados do que as condições médias do tempo numa determinada área. (...) Desta forma, o clima apresenta uma generalização, enquanto o tempo lida com eventos específicos.
Ainda de acordo com Ayoade (2003), na ciência da atmosfera, usualmente é feita uma distinção entre o Tempo e o Clima, e entre a Meteorologia e a Climatologia. Por Tempo entende-se um conjunto de valores que num dado momento e num certo lugar, caracteriza o estado atmosférico. Assim, o Tempo é uma combinação curta e momentânea dos elementos que formam o Clima, ou seja, é um estudo particular e efêmero da atmosfera.
Clima, segundo Hann apud Silva (2004), “é um estado médio dos elementos atmosféricos durante um período ralativamente longo, sobre um ponto da superfície terrestre”. Koppen apud Silva (2004), afirma que “Clima é o somatório das condições atmosféricas de um determinado lugar”. Para Poncelet apud Silva (2004), “é o conjunto dos elementos físicos, químicos e biológicos que caracterizam a atmosfera de um local e influência nos seres que nele se encontram”.
De acordo com Barbosa e Zavatine (2000), a tradicional concepção do Clima, como um conjunto de fenómenos meteorológicos que caracterizam o estado médio da atmosferea em um ponto da superfície terrestre, foi substituída pelas idéias de Sorre (1951), que propôs a reformulação do conceito de Clima como sendo “a série dos estadosatmosféricos acima de um lugar em sua sessaão habitual”. Assim foi incorporada a noção de rítmo à Climatologia, dando origem a uma nova abordagem, baseada no dinamismo da actuação dos sistemas atmosféricos e dos tipos de tempos produzidos.
Neste contexto, a Climatologia tem o Clima como o objecto de estudo.
Objectivos
Objectivos Gerais:
·         Conhecer a importância do estudo da Climatologia para o desenvolvimento duma sociedade;
·         Conhecer os fenómenos Enso.
Objectivos Específicos:
·         Identificar a importância do estudo da Climatologia;
·         Identificar os fenómenos Enso;
·         Descrever a origem dos fenómenos Enso,
·         Destacar o impacto dos fenómenos Enso em Moçambique.
Metodologias
O presente trabalho baseou-se no estudo bibliográfico de várias fontes citadas nas referências bibliográficas, onde por via de indagação, procurou-se o esclacimento sobre o tema em causa.
Importãncia do Estudo da Climatologia
A Climatologia é uma ciência muito importante, pois diversas actividades humanas (agricultura, economia, comércio, etc) dependem de dados do Clima para tomar atitudes. Um Agricultor, por exemplo, necessita de informações do clima para saber quando, quanto e como poderá plantar e colher determinado gênero agrícola.
Com o uso da tecnologia moderna, principalmente dos satélites, a Climatologia actual vem oferecendo dados e informações cada vez mais precisas sobre chuvas, secas, temporais, furcoes, ciclones,etc. As informações de médio e longo prazo, que antes não eram exactas, agora são geradas com alto grau de acerto pela Climatologia.
Com as mudanças climáticas que temos verificado nas últimas décadas, principalmente o aquecimento global, a Climatologia tornou-se ainda mais importante. Esta ciência oferece dados capazes de sinalizar para o aumento ou diminuição das temperaturas em nosso planeta.
Fenómenos Enso em Moçambique
A interacção  entre o  comportamento  de anomalias  de  Temperatura  da  Superfície  do  Mar  no Pacífico  tropical  e  dos  ventos  alísios  na  região  do  Pacífico  Equatorial  entre  a  costa  do  Peru  e  no Pacífico Oeste próximo à Austrália, constitui o fenómeno de interacção oceano-atmosfera denominado El  Niño  Oscilação  Sul  (ENSO)  (Couana apud LOPES,  2006;  Marengo,  2007).  Este  fenómeno  divide-se  em  duas fases, nomeadamente El Niño (fase quente) e La Niña (fase fria). Os fenómenos El Niño e La Niña são oscilações  normais, previsíveis  das temperaturas  da superfície  do  mar, nas  quais o homem  não  pode interferir.
O  fenómeno  El  Niño  é  caracterizado  por  um  aquecimento  anómalo,  atingindo  25ºC,  das  águas superficiais e sub-superficias do Oceano Pacífico Equatorial e o La Niña com características opostas ao EL Niño, é caracterizado pelo arrefecimento anómalo, diminuindo para cerca de 23 a 22ºC, das águas superficiais  do  Oceano  Pacífico  Equatorial  (Couana apud Marengo,  2006).  Na  ausência  do  El  Niño  e  La  Niña estamos perante a fase neutra (Couana apud De Paula,  2009).
O El Niño é um evento climático natural que ocorre no Oceano Pacífico, podendo ser definido como um aquecimento anormal das suas águas, seguido pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Tais alterações modificam o sistema climático de distribuição das chuvas e de calor em diversas regiões do planeta.
O El Niño Oscilação Sul (ENOS) é uma alteração natural e cíclica nas porções central e leste do Oceano Pacífico. Fundamentalmente, ocorre um maior aquecimento de suas águas, de pelo menos 1 grau Celsius, tomando como referência a média térmica desse oceano, que é de 23°C. Seu nome remete ao menino Jesus, pois sua descoberta está associada às observações de pescadores e marinheiros peruanos, que notaram o aquecimento das águas do mar e a consequente redução da quantidade de peixes na época do Natal.
O  El-Nino,  causa fenómenos  como  secas  e  enchentes  em  várias  partes  do  globo. Ele, normalmente ocorre em intervalos médios de 4 anos e persiste de 6 a 15 meses, contudo a sua frequência é em intervalos de tempo irregulares, sendo mais comum de 3 a 5 anos, podendo ser de 2 a 12 anos. A frequência e a intensidade dos eventos El Niño e La Nina aumentaram ao longo do século XX, o que gerou muitas pesquisas para investigar a existência da relação com as mudanças climáticas globais (Mazive apud Christopherson, 2012).
O fenómeno El-Nino tem abrangência mundial uma vez que afecta as oscilações atmosféricas de toda a faixa tropical do planeta e de regiões fora dos trópicos. Comumente associa-se a este fenómeno os episódios de secas nas regiões da Indonésia, leste da Austrália, sudeste Asiático, sudoeste da África e nordeste da América do Sul bem como as chuvas excessivas no Pacifico central, nas costas do Peru e Equador, sudeste da América do Sul, sudeste dos Estados Unidos da América e nordeste da África (Mazive apud Madeiros, 1998).
Histórico do fenómeno El Niño
Os pescadores peruanos já conviviam  com esse fenômeno que causava uma  diminuição na quantidade  de peixes na  Costa do Peru, sempre na época do  Natal, e por  isso  lhe deram  o  nome de “El  Niño”  (que  quer dizer  “menino- Jesus”,  em  espanhol).  O  “El  Niño”  dura,  em   média,  de  12  a  18  meses  com intervalos  cíclicos  de  2  a  7  anos.  No  geral,  quando  ocorre  o  fenômeno  há mudanças  no  clima,  os  impactos  são  diferentes  em  diversas  partes  do  globo terrestre  como,  por  exemplo,  secas  no  sudeste  asiático, invernos  mais quentes na América do  norte e temperaturas elevadas na costa oeste  da América  do sul. Todas essas mudanças ocorrem  devido ao aumento da  temperatura  na  superfície  do  mar  nas  águas  do  Pacífico  equatorial, principalmente,  na  região  oriental.  Por  outro  lado,  observa-se  diminuição  da pressão atmosférica e aumento na temperatura do ar sobre o Pacifico oriental. Estas mudanças provocam alterações na  direção e  velocidade dos ventos  em nível global fazendo com que as massas de ar modifiquem  seu comportamento em várias regiões do planeta.
Origem
Não há uma única teoria que defina a origem do El Niño, existindo diversas hipóteses como ciclos solares, erupções vulcânicas, acúmulo sazonal de águas quentes no Oceano Pacífico e quedas de temperatura na Ásia Central. Registros paleoclimáticos, históricos, arqueológicos e relatos de navegadores apontam para a sua ocorrência há mais de 500 anos.  Esses apontamentos envolvem mudanças nas forças dos ventos, transformações na quantidade e intensidade de chuvas, secas, enchentes, atividade pesqueira e produção agrícola. O El Niño está relacionado até mesmo à crise agrícola que ajudou na decadência da civilização Maia.
Como o El Niño se desenvolve?
Em primeiro lugar, é importante compreendermos o conceito de pressão atmosférica: alta pressão e baixa pressão. A alta pressão do ar pode ser definida como uma camada de ar frio e denso que se dirige em direção à superfície, movimento conhecido como subsidência (descida) do ar frio. Esse movimento promove o deslocamento dos ventos em direção às zonas de baixa pressão, onde o ar mais quente e menos denso tende a sofrer ascendência (subir), contribuindo para a formação de chuvas.
O aquecimento das temperaturas provocado pelo El Niño influencia o sistema de alta pressão subtropical, localizado a 30° de latitude. O enfraquecimento das altas pressões diminui a força dos ventos alísios, que têm a sua origem nessa região subtropical.  Os alísios são ventos que sopram dos trópicos em direção ao Equador, sendo responsáveis por carregar calor e humidade em direção às áreas equatoriais. No Oceano Pacífico, eles são fundamentais para a ocorrência de chuvas na Oceania e Sudeste Asiático.
Características do El Niño
O El-Nino caracteriza-se pelo aquecimento acima do normal das águas oceânicas no sector centro leste do Oceano Pacifico Tropical, desde a costa da América do Sul (próximo ao Peru e Equador) até aproximadamente a Linha da Data (longitude de 180 graus). Os ventos alísios se enfraquecem nas regiões Ocidental e Central do Pacífico, o que aumenta a profundidade que as águas quentes atingem no Leste e, por sua vez estadiminui no Oeste (Varejão-Silva, 2005).
A temperatura da superfície do mar eleva-se e as chuvas seguem as águas quentes em direcção ao leste, o que implica cheias no Peru e secas na Indonésia e Austrália. O deslocamento da fonte de calor, correspondente às águas mais quentes, em direcção ao Leste resulta em grandes mudanças na circulação da atmosfera global, o que provoca mudanças no tempo em regiões bem afastadas do Pacífico Tropical (Varejão Silva, 2006).

Figura1: Esquema de fase El Niño (Ambrizzi, 2016)
Consequências  do El Niño em Moçambique
O El Niño de 2015-2016 provavelmente seja o mais forte registado nos últimos 18 anos e, segundo os especialistas, deve ficar entre os três mais poderosos de que se tem conhecimento (Serra, 2016).
“Pelo menos 176.139 pessoas estão em insegurança alimentar aguda, aquela que é considerada preocupante. Estas vítimas estão distribuídas pelas províncias de Gaza (77.365 pessoas), Inhambane (75.565 pessoas), Sofala (14.006 pessoas) e Niassa (9.203 pessoas). Estes números poderão aumentar nos próximos meses dependendo do comportamento da presente época chuvosa, uma vez que a maioria dos agregados familiares em risco tem como principal fonte de alimentos básicos a produção própria. A  título  de  exemplo,  nas  províncias  de  Gaza  e  Inhambane,  os  números  de  pessoas  em insegurança alimentar subiu de Maio para Novembro de 2015, tendo passado de 66.119 para 75565 pessoas em Inhambane, e de 71.665 para 82.377 pessoas em Gaza” (IVAIRS,2016).
No que se refere ao estado das bacias hidrográficas (rios e zonas adjacentes), o Ministério de Agricultura  e  Segurança Alimentar, fez saber que  a situação mostrava que o ano hidrológico 2016 era atípico para as bacias hidrográficas da região Sul de Moçambique pois, os escoamentos situavam-se muito abaixo da média dos anos mais secos (1991/1992 e 1997/1998) em que se registou fenómenos El-Nino (IVAIRS, 2016). Na realidade, em Moçambique no período 2015/2016 verificou-se uma disparidade de consequências do El-Nino visto que, a região Norte registou cheias e as regiões Sul e Centro do Pais, foram assolados pelas secas (Matias, 2016).
De acordo com estudos feitos por Benessene (2002), em Moçambique, a grande parte da variabilidade interanual da precipitação está associada ao fenómeno ENSO. Na fase quente (El Niño), a maior parte do país, apresenta desvios negativos da precipitação em relação a média climatologica, predominando altas temperaturas e consequentimente secas (Alberto et al. , 2007). Tomando como exemplo os anos de 1982, 1983, 1984, 1992 e 1993, 1997 e 1998 foram anos de episódios mais intensos e causar am secas, lembrando  que  no  ano  de  1997  ocorreu  o  El  Niño  mais  intenso  da  história  mas  os  seus  impactos fizeram- se sentir em 1998 (Benessene, 2002). Segundo o mesmo autor (Benessene, 2002),  durante o período de ocorr ência de La Niña (fase fr ia), as zonas Centro e Sul do  País tendem a apresentar desvio positivo de  precipitação em relação a média, com  maior  impacto na zona Sul. As temperaturas são inferior es em relação aos anos de El Niño. Por exemplo, os eventos ocorridas nos anos de 1964/1965, 1970/1971, 1973/1974, 1984/1985, 1988/1989, 1995/1996 e o mais intenso em 1999/2000, que causaram cheias. Quando o  El  Niño e o  La Niña não ocorrem,  o país  apresenta desvios negativos de  precipitação  nas provincías  de  Niassa,  Tete,  Inhambane  e  Gaza.  Nas  restantes  províncias  com  desvio  positivo  da precipitação, com maior impacto na província da Zambézia.
Conclusão
Com base nos estudos feitos no presente trabalho, conclui-se que o estudo da Climatologia é de suma importância para  o desenvolvimento de uma sociedade. Os estudos climatológicos referem-se, de uma maneira geral, a territórios mais ou menos vastos a aplicam-se a um período de tempo longo.
Em resumo, o Clima e o Tempo atmosférico são duas formas complementares de descrever o ambiente atmosférico, utilizando essenceialmente os mesmos elementos (pressão atmosférica, temperatura, humidade, precipitação, radiação, etc), mas fazendo referência a diferentes escalas de tempo.
O fenómeno El Niño contribui para redução da quantidade de precipitação (secas), enquanto La Niña para o aumento da mesma (cheias), em todas as estações estudadas. Contudo,  observaram- se também anos  em  que  ocorreu  La  Niña, mas  no entanto, verificou-se diminuição  na  quantidade  de  precipitação.  Nos  anos  em  que  ocorreu  El  Niño  verificou-se aumento  na  quantidade  da  precipitação.  Estes  factos  podem  ser  atribuídos  a  dependência  da precipitação a outros factores (locais e regionais) como a continentalidade, frentes, anticiclones, ciclones tropicais e outros.
Referências Bibliográficas
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os trópicos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. 332p.
COUANA, A.E. Influência do ENSO sobre a Precipitação nas cidades de Maputo, Beirae Lichinga. Tese de Licenciatura em Meteorologia. Faculdade de Ciências. Departamentento de Física. Universidade Eduardo Mondlane. 2015.
IVAIRS,  A  dura  seca  em  Moçambique.  [online]  Disponível  na  Internet  Via  www.  URL: https://ivairs.wordpress.com 22 de Março de 2020.
MAZIVE, D.P. Estudo da Influência El Niño na Produção agrária na Província de Gaza. Licenciatura em Ensino de Físicacom Habilidades em Ensino de Matemática. Universidade Pedagógica. 2017. Disponível na internet via https://www.academia.edu/37889747/INFLUENCIA_DO_EL_NINO_NA_PRODUCAO_AGRARIA_MONOGRAFIA_DANIEL_MAZIVE
SILVA, Júlio César Lázaro da. "El Niño"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/el-nino.htm. Acesso em 21 de Março de 2020.
QUEREDA SALA, José. Curso de Climatologia general. Castelló de la Plana: Publicacions de la Universitat Jaume I, D.L. 2005. Disponível em : https://www.infoescola.com/ciencias/climatologia/ . Acesso em 22 de Março de 2020.

Sem comentários:

Enviar um comentário

A Supervisão Escolar

  1.0. Introdução A supervisão escolar constitui um eixo estruturante no campo da administração e da gestão educacional, assumindo um pa...