Resumo
A gravidez precoce é motivo de preocupação em função das consequências devastadoras para o desenvolvimento tanto da mãe quanto da criança, visto que expressa um exemplo perfeito da interação de riscos biológicos e ambientais. Este trabalho objectivou realizar uma revisão de área sobre a gravidez na adolescência, a partir de considerações a respeito do contexto atual da adolescência. A gravidez na adolescência pode ser considerada problema de saúde pública em função da alta prevalência e das consequências desastrosas para o desenvolvimento infantil. A análise da literatura permitiu identificar a necessidade de se desenvolverem programas de intervenção para gravidez na adolescência, que devem ter como objetivos prevenir a sua ocorrência, aumentar habilidades parentais, fornecer serviços de pré-natal, diminuir taxa de reincidência de outra gravidez precoce e promover desenvolvimento adequado da criança fruto de uma gravidez na adolescência. Adicionalmente, é necessário maior número de pesquisas que identifiquem aspectos relacionados a resultados de eficiência e eficácia em uma intervenção destinada a essa população.
Abstract
An early pregnancy is cause of concern due to the devastating consequences to child and mother’s development, as it is a perfect example of biological and environmental risk interaction. This study aimed at reviewing adolescent pregnancy intervention and prevention studies. An adolescent pregnancy can be considered a public health problem because of its high level of prevalence and negative consequences to the child’s development. Analysis of the reviewed literature showed that it is necessary to create more intervention programs to prevent teenage pregnancy, to increase parental skills, to offer pre-natal services, to reduce the reincidence of pregnancies and to promote optimal child development. Furthermore, there is a need for more studies that identify relevant aspects related to the effectiveness and efficiency of the intervention programs for this population.
Introdução
A
gravidez na adolescência é
um problema mundial e
aumenta cada vez mais, preocupando principalmente os profissionais das áreas de
educação e saúde. Diversos trabalhos, pesquisas e programas desenvolvidos pelos
adolescentes, observam que a actividade sexual precoce tem vindo a provocar
várias mortes por causa do aborto que essas tais jovens vem fazendo.
A
gravidez precoce tem serias implicações biológicas, familiares, emocionais e
económicas, alem das jurídico-sociais, que que atingem o individuo isoladamente,
e a sociedade como um todo, limitando ou mesmo adiando as possibilidades de
desenvolvimento e engajamento dessas jovens na sociedade.
O presente relatório descreve os resultados obtidos na execução do projecto de pesquisa feita no campo sobre o tema acima citado.
Metodologias usadas
Para o alcance dos objectivos, a pesquisa teve o seu campo em duas vertentes: pesquisa de campo e pesquisa bibliográfica.
Pesquisa no campo.
A
recolha de dados decorreu em duas escolas: Escola Primaria do 1º e 2º Grau 1º de
Maio directamente com alunas da 7ª Classe e na Escola Secundaria Geral da
Soalpo- Chimoio com apenas três alunas da 10ª Classe.
EPC
1º de Maio: Questionadas as alunas desta escola que respondiam pelos nomes de
Paulina Raimundo, Edna Jorge, Anastância Paulino e Rosa Lúcio Fernando, numa
entrevista colectiva, mostraram algumas caras de vergonha ao tentar responder
as questões. Isso levou me a ter conclusões de que elas não tinham o
conhecimento exacto relacionado com o tema.
ESG-
Soalpo: Os alunos mostraram um interesse que me motivou a continuar com a
investigação. Apos três entrevistas, conclui que muitas das alunas daquela
escola já se envolveram nesta situação.
“Eu já engravidei no meu primeiro ano do
ensino geral (8ª Classe) mas acabei por abortando, pois o dono da barriga havia
negado. Isso me fez perder um ano todo porque depois desse aborto, fiquei muito
doente” (Guilhermina, aluna da 10ªClasse).
“
Acho que a gravidez precoce e os abortos trazem
impactos negativos para as nossas sociedades pois as pessoas que se envolvem
nessas situações, muitas delas abandonam a escola para puder trabalhar de forma
a cuidar o bebé” (Graça Jone Primeiro, aluna da 10ª Classe)
“Para minimizar essa situação, devemos optar pela abstinência sexual ou usar os preservativos e outros métodos anticonceptivos. Isso ajudará, pois para o desenvolvimento social do nosso país” (Luísa Patrício, aluna da 10ª Classe)
Pesquisa bibliográfica
Revisão da literatura
A
gravidez precoce é um período de turbulências físicas e psicológicas, e por
vezes ate sociais. A adolescência compreende o período entre 10 a 19 anos,
segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A gravidez nesse período acarreta
diversos problemas biológicos e psicossociais, porém é primariamente um problema
social que pode resultar em consequências médicas.
A
prevenção ainda não tem trazido resultados efectivos, provavelmente devido à
complexidade dos factores envolvidos.
Por isso, diversos estudiosos, de diversas áreas de conhecimento, têm se
pontificado a estudar esse tema visando levar conhecimentos prévios que podem
evitar enormes danos físicos, psicológicos e sociais.
Segundo
Almeida (1987), vários factores
estão associados à iniciativa precoce dos adolescentes na vida sexual, que vão
do desequilíbrio familiar, como divórcios, maus tratos, relacionamento difícil
com os padrastos e madrastas, influência de amigos. O mesmo autor, baseado em
diversos estudos, apresenta um ser humano como um ser sexual, que apresenta
diversas etapas da sexualidade e uma adolescência mal assistida por pais e
educadores acarreta consequências, como a maternidade e paternidade nesta fase
da vida, além, é claro, das DTS.
(…) quando a actividade sexual tem como o resultado a gravidez, gera consequências tardiais e em longo prazo, tanto para a adolescente quanto para o recém-nascido. A adolescente poderá apresentar problemas de crescimento e desenvolvimento, emocionais e comportamentais, educacionais e de aprendizado, além de complicações da gravidez e problemas de parto. É por isso que alguns autores consideram a gravidez na adolescência como sendo uma das complicações da actividade sexual (BALLONE; 2003, Pág. 79)
HECHTMAN (1989)
A
mãe adolescente te maior morbidade e mortalidade por complicações da gravidez,
parto e puerpério. A taxa de mortalidade é duas vezes maior que entre gestantes
adultas. A mãe adolescente também apresenta com maior frequência, sintomas
depressivos no pós-parto. As complicações psicossociais relacionadas à gravidez
na adolescência são, em geral, mais importantes que complicações físicas.
(…) as atitudes individuais são condicionadas tanto pela família quanto pela sociedade. A sociedade tem passado por profundas mudanças em sua estrutura, inclusive aceitando melhor a sexualidade na adolescência, sexo antes do casamento e também a gravidez na adolescência. Portanto, tabus, inibições e estigmas estão diminuindo e a actividade sexual e a gravidez aumentando.
A
gravidez precoce é aquela que ocorre em meninas e adolescentes. A partir da
puberdade, começa o processo de alterações físicas que fazem da rapariga uma
mulher com capacidade para a reprodução sexual. Não significa, porém, que a
menina esteja preparada para ser mãe.
De
acordo com diversos estudos, a gravidez precoce tem sido cada vez mais
frequente. Trata-se de um problema de prioridade para a saúde pública devido ao
alto risco de mortalidade que representa. Os bebés de mães adolescentes, de uma
forma geral, apresentam pouco peso à nascença e costumam nascer prematuros
(antes do tempo).
A
gravidez precoce está vinculada a uma certa situação social, que combina a
falta de educação em matéria de reprodução e comportamentos sexuais, a falta de
consciência própria da idade e outros factores, como pode ser a pobreza (que
obriga a viver em condições de “amontoamento”, por exemplo). Em muitas
ocasiões, a gravidez precoce resulta de violações.
É
comum a gravidez precoce ser condenada a nível social e familiar. A adolescente
grávida é vista como “culpada” de uma situação “indesejada”, pelo que há tendência
a ser discriminada e a não contar com o apoio de que necessita. Por isso, os
especialistas insistem em que a mãe precoce conte com o apoio da família e seja
acompanhada nas visitas aos médicos e nos tratamentos.
Em todo o caso, os médicos insistem que é fundamental trabalhar sobre a prevenção das gravidezes precoces, com campanhas de consciencialização, educação sexual e a distribuição gratuita de métodos contraceptivos.
Análise dos resultados
Não obstante à realidade da cidade de Chimoio, especialmente no bairro 1º de Maio, campo dessa pesquisa, onde pude constatar que a maioria das adolescentes entrevistadas que começaram a ter relações sexuais precocemente não mantiveram um bom relacionamento com os seus pais e irmãos. Outro factor importante observado foi que a maioria dessas adolescentes não possui uma estrutura, no mínimo, adequada para receber e criar um filho. Algumas pensam em parar de estudar para conseguir um trabalho, muitas vezes, com remuneração superbaixa para obter condições de sustentar um filho., ou seja, a escola vai ficando em segundo plano e os desejos ou sonhos de uma faculdade se tornam objectivos distantes para essas adolescentes. Por isso, a gravidez precoce também é um factor preocupante nessa localidade. Pois é preciso conscientizar as adolescentes dos riscos que as mesmas correm ao se permitirem passar essa experiência.
Dedicatória
Dedico
à minha mãe, por todos os exemplos e atitudes sempre em consideração aos filhos
e ao desenvolvimento da sua personalidade. Porque a concretização desta minha
etapa, mais que um desafio para mim, foi o concretizar de uma ambição dela, com
referência a todos os valores que suporta e invoca na íntegra.
Também aos meus amigos e colegas do IFP – Chibata pelas forças que me deram para continuar forte com os estudos ate chegar nesta fase.
Bibliografia
BALLONE,
José Carvalho, Atenção integral à saúde
das mães adolescentes, 2003, Pág. 79, Lisboa Editores, (PDF);
HECHTMAN, Godfree M.J.C, Gravidez na adolescência, 1989, Los Angeles F.N Reatos (Orgs) – PDF;
Sites e links:
http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/manual-tecnico-do-pre-natal-e-puerperio/manual_tecnicoii.pdf
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