18 janeiro, 2021

Os factores que influenciam no problema de uso da tabuada

Introdução

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A Matemática, é constantemente  percebida por muitas pessoas como uma disciplina que apresenta conceitos de difícil compreensão. No que tange à aprendizagem da tabuada, esse preceito se confirma.

Muitos dizem que a tabuada não é nada motivante, os alunos têm dificuldades para memorizá-la, o que irá interferir no aprendizado das operações da multiplicação e da divisão, principalmente.

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A tabuada se constitui em pré-requisito para o desenvolvimento de praticamente todos os conteúdos. A dificuldade de efetuar as operações que usam multiplicação e divisão aliadas à falta de interpretação do que se lê são um dos maiores problemas que os professores da disciplina de matemática enfrentam. O aluno que advém do 2º Ciclo do Ensino Primário (5ª Classe) para 3º Ciclo do Ensino Primário (6ª Classe) teria que no mínimo ter-se apropriado da mesma e das quatro operações fundamentais, e é o que não está acontecendo.

Com este trabalho, pretende-se abordar sobre o estudo dos factores que influenciam no problema de uso da tabuada numa determinada classe de uma escola.

Este trabalho tem com ponto de partida o problema das dificuldades enfrentadas pelos alunos e professores, diante dos problemas relacionados à tabuada. Tendo como consequência, geralmente, o seguinte fato: os alunos chegam ao 3º Ciclo do Ensino Primário com deficiência de cálculos matemáticos, por não dominarem a tabuada.

Por isso, o objectivo principal deste trabalho, é conhecer os factores que influenciam no problema de uso da tabuada e estabelecer algumas interferências pedagógicas que podem promover a superação das dificuldades de aprendizagem da tabuada dentro de uma perspectiva que possa despertar nos alunos o gosto de aprender a matemática e principalmente a tabuada.

 A Tabuada

A palavra teve origem a partir das tábuas que eram utilizadas na Grécia Antiga para fazer cálculos.

A tabuada é uma tabela ou um conjunto de tabelas com operações básicas (adição, subtração. multiplicação e divisão) envolvendo números inteiros. O principal objectivo desta tabela é a memorização destas operações mais comuns, tendo em vista que facilita os cálculos mais complexos e elimina cálculos mais simples.

Muitas vezes sua nomenclatura se associa ao número de base, já que o cálculo é feito a partir de um determinado número que será utilizado em todas as operações. Por exemplo: “tabuada de três”, “tabuada de cinco”.

A importância desse conhecimento faz com que o aluno seja mais rápido e mais preciso em muitas das operações comuns na realização de uma prova, otimizando assim o tempo.

As vantagens da tabuada são:

·         Aumento sensível da precisão nos cálculos. Ou seja, o aumento da precisão evita a contagem nos dedos, por exemplo o aluno pode contar 8+7=14, que está errado ao passo que se este aluno sabe que 8+7=15 possui uma chance de errar;

·         Aumento sensível da velocidade o nos cálculos. Ou seja, no decorrer de uma prova o aluno se depara com várias continhas, se este aluno não sabe a tabuada, ele vai precisar parar, pensar, contar nos dedos cada continha e vai perder muito tempo e lógico vai se desgastar em vez de “está perdendo tempo” no problema, está perdendo tempo em continhas e ainda pode errar e nada melhor que aprender a tabuada para evita que ocorra esse tipo de erro;

·         Diminuição sensível da fadiga mental em processos longos (avaliações);

·         Otimização, pois o raciocínio passa a ser mais focado na estrutura do problema. Ou seja, o aluno deixa de pensar em continhas para justamente pensar na estrutura do problema. Como exemplo, montar uma equação, dividir o problema em caso. Em outras palavras a conta passa a ser a solução e não o problema.

O conhecimento da tabuada torna possível à realização de alguns cálculos mentais e o aluno só sabe a tabuada se a resposta for imediata (30s), ou seja, na “ponta da língua”.

Tabuada da multiplicação

Esse tipo é o mais utilizado e mais conhecido. Podemos dizer que é possível que muitas pessoas nem conheçam os outros tipos. Com base nessa tabuada é possível entender o funcionamento da tabuada de divisão, visto que os seus valores estão interligados.


Vale destacar que o conhecimento em adição (soma) é imprimível para entender o seu funcionamento, visto que a operação de multiplicação corresponde a soma de um mesmo número pela quantidade de vezes que ele será multiplicado. Por exemplo: 6 x 3 = 6 + 6 + 6 = 18.

Alguns números possuem especificidades que devem ser observadas. O número zero é considerado neutro, ou seja, qualquer número multiplicado por ele sempre terá como resultado zero. Já na multiplicação por 1, o resultado sempre será o número que foi multiplicado. Por exemplo: 4 x 0 = 0; 4 x 1= 4. O resultado da multiplicação sempre será o mesmo, impendente da ordem em que se apresente. Não importa se o cálculo é 4 x 2 ou 2 x 4, pois o resultado sempre será 8.

Tabuada da Adição

Apresenta a operação matemática de soma, ou seja, é a adição de um valor com outro. Ela é pouco utilizada por se tratar de um cálculo mais comum em nosso dia-a-dia, mas não deixa de ser importante. Por exemplo: 2+0=2; 2+1=3; 2+2=4; ... 2+10=12.

A soma é um dos cálculos mais utilizados em nosso quotidiano e está relacionada a diversas operações matemáticas. Por exemplo, sempre utilizamos para contar dinheiro e na operação de soma de frações.

Tabuada da Subtração

Como o nome já diz, nesse tipo ocorre a diminuição de valores, ou seja, um valor é utilizado para diminuir o outro. Por exemplo: 5-0=5; 5-1=4; 5-2=3; 5-3=2; ... 5-5=0.

Tabuada da divisão

Está intimamente relacionada ao processo de multiplicação, já que apresenta uma inversão de valores do processo de multiplicar. Essa operação abrange os divisores e corresponde a divisão de um número em partes iguais. Por exemplo: 8 x 2 = 16 pois 16 ÷ 8 = 2. Podemos dizer que 8 vezes 2 é igual a 16, pois 16 dividido por 8 é igual a 2.

Factores que influenciam no problema de uso da tabuada

O principal factor que influencia no problema de uso da tabuada é a Memorização.

Na escola de alguns anos atrás, saber a tabuada "na ponta da língua" era ponto de honra para alunos e professores. Poucos educadores ousavam pôr em dúvida a necessidade desta mecanização. Com isso, vieram as críticas ao ensino tradicional, entre elas a mecanização da tabuada. Assim, diversas escolas aboliram a memorização da mesma. O professor que obrigasse seus alunos a decorar a tabuada era, muitas vezes, considerado retrógrado.

O argumento usado, contrário à memorização, era basicamente que não se deve obrigar o aluno a decorar a tabuada, mas sim, criar condições para que ele a compreenda. Os defensores dessa nova tendência alegavam que, se o aluno entendesse o significado de multiplicações como 2 x 2, 3 x 8, 5 x 7, etc., quando precisasse, saberia chegar ao resultado.

Com esse novo olhar para o ensino, em particular para o ensino da matemática, tem-se que no caso da tabuada o professor não deve forçar o aluno a um processo de memorização, mas produzir situações para que o aluno a compreenda. Não se deve forçar o aluno a decorar a tabuada, mas sim, criar condições para que ele a compreenda (D’AUGUSTINE, 1976).

Pois, os alunos podem expor ou ditar corretamente os resultados das operações matemáticas por decorar bem a tabuada, no entanto isso não quer dizer que eles compreendem as operações, ou seja, poderíamos ter um cenário de um aluno que lê, mas não compreende o que leu (DURVAL, 1995).

Raciocinar é uma acção do pensamento de natureza completa. Um aluno, que não sabe efetuar corretamente uma série de contas, não consegue também após a leitura de um tópico executar as actividades ligadas à tabuada.

Muitas vezes o aprendizado da tabuada torna-se algo mecânico e desgastante, é um conhecimento fundamental. Através dele realizamos inúmeras actividades. A matemática está presente em nosso dia a dia, então importante mostrar aos alunos essa proximidade entre os conceitos e a prática para que o aprendizado seja realmente significativo. Após observações realizadas em sala de aula, percebemos que os alunos não conseguem exercitar a leitura matemática e com isso surgem as dificuldades para resolverem as atividades envolvendo cálculos de multiplicação e divisão (SMOLE e DINIZ, 2001).

A tabuada é a mesma do tempo em que  nós éramos alunos e provavelmente, tínhamos de decorá-la. O conteúdo era tão valorizado que as listas de multiplicações apareciam estampadas nos lápis e na contracapa dos cadernos (MATOS, 2013). https://www.coinpayu.com/lp1/LK409

Mesmo assim, na hora de usar esses conhecimentos sumiam da memória. Prova de que as práticas tão consolidadas de memorização pela repetição não são eficazes.

No entanto antes de decorá-la, ele deve compreendê-la por meio de actividades que mostrem a relação entre os números e as propriedades da multiplicação, como a proporcionalidade e a comutatividade, sem que para isso seja necessário apresentar a definição delas.

Compreender é fundamental. É inconcebível exigir que os alunos recitem: "dois vezes um, dois; dois vezes dois, quatro;...", sem que tenham entendido o significado do que estão dizendo. Na multiplicação, bem como em todas as outras operações, a noção de número e o sistema de numeração decimal, precisam ser construídos e compreendidos.

A necessidade da memorização justifica-se. A fixação da mesma é importante para que o aluno compreenda e domine algumas técnicas de cálculo. Na exploração de novas idéias matemáticas (frações, geometria, múltiplos, divisores etc), a multiplicação aparecerá com freqüência. Se o aluno não tiver memorizado os factos fundamentais, a cada momento ele perderá tempo construindo a tabuada ou contando nos dedos, desviando sua atenção das novas idéias que estão sendo trabalhadas.

Discalculia

A discalculia é uma dificuldade de aprendizagem apresentada na disciplina de matemática, na qual se caracteriza pela dificuldade de fazer operações matematicamente.

Segundo BARBOSA (2008, p. 132), a palavra discalculia apresenta duas raízes gregas: “dis” que significa dificuldade e “calculia”, que se relaciona à arte de contar.

O portador de discalculia apresenta um baixo nível de desempenho nas tarefas de matemática que envolve competências aritméticas. Em geral, essa dificuldade é descoberta na escola, ao desenvolver actividades como estruturação de textos escritos, gráficos, compreensão de tabelas, interpretação de soluções problemas, o uso da tabuada, entre outros.

Na discalculia do desenvolvimento, alguns processos cognitivos demonstram-se afetados, como: Velocidade de processamento da informação; Memória de trabalho; Memória em tarefas não-verbais, Memória de curto e longo prazo; Memória seqüencial auditiva; Habilidades visuo-espaciais; Habilidades psicomotoras e perceptivo-táteis; linguagem matemática. (WAJNSZTEJN e WAJNSZTEJN, 2009, p.188).

A discalculia é um transtorno na habilidade da matemática que se apresenta na forma estrutural da maturação, elencada por inúmeras quantidades de erros nas habilidades de contar, habilidades computacionais, compreensão de números, soluções de problemas verbais e não verbais.

Uma criança com este tipo de distúrbio enfrenta inúmeras dificuldades ao usar a tabuada.

Conclusão

A Matemática, é constantemente  percebida por muitas pessoas como uma disciplina que apresenta conceitos de difícil compreensão. No que tange à aprendizagem da tabuada, esse preceito se confirma. Muitos dizem que a tabuada não é nada motivante, os alunos têm dificuldades para memorizá-la, o que irá interferir no aprendizado das operações da multiplicação e da divisão, principalmente.

A tabuada é uma representação em forma de tabela utilizada para fazer cálculos das operações matemáticas: adição, subtração, multiplicação e divisão.

Um factores mais destacado que influencia no uso da tabuada é  a memorização. A tabuada não deve ser decorada, mas sim compreendida. O aluno não deve memorizar mecanicamente a tabuada, mas que a memorização é importante sim. Insisto, porém, que esta memorização deve ser precedida pela compreensão. A ênfase do trabalho deve ser posta na construção dos conceitos. A preocupação com a memorização não deve ser obsessiva nem exagerada.

O outro factor é  a discalculia, uma dificuldade de aprendizagem apresentada na disciplina de matemática, na qual se caracteriza pela dificuldade de fazer operações matematicamente. A criança portadora da discalculia, apresenta dificuldades no uso da tabuada. 

É importante salientar que a discalculia não é causada por deficiência mental, por déficit auditivo ou visual e muito menos por má escolarização. As crianças que sofrem dessa dificuldade não conseguem entender o que se é expresso na sala de aula, questões que achamos simples como relação de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho elas não conseguem ter uma compreensão clara. Também apresentam dificuldades em somar, diminuir, dividir e multiplicar.

Referências

BARBOSA, Laura Monte Serrat. Psicopedagogia: um diálogo entre a psicopedagogia e a educação. 2. ed. Curitiba: Bolsa nacional do livro, 2008.

D’AUGUSTINE C. H. Métodos Modernos para o ensino da Matemática, 2a ed., Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1976.

DUVAL, R. Sémiosis et penseé humaine registres sémiotiques et apprentissages intellectuels. Paris: Peter Lang, 1995.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.

MATOS, F. M. S. Experiência pedagógica na EJA: o caso da associação atlética de Santa Maria. Trabalho de Conclusão de Curso. Curso de Licenciatura em Pedagogia. Faculdade de Educação. Universidade de Brasília, 2013.

SMOLE, K. S.; DINIZ, M. I.. Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001.

WAJNSZTEJN, Alesssandra Caturani; WAJNSZTEJN, Rubens. Dificuldades escolares: um desafio superável. 2. ed. São Paulo: Ártemis, 2009.

 

 


Subtítulos que fazem parte de um trabalho científico


1.0.Introdução

Um trabalho científico é o texto (em sentido lato ou estrito) resultado de algum dos diversos processos ligados à produção e transmissão de conhecimento executados no âmbito das instituições de ensino, pesquisa e extensão universitária, formalmente reconhecidas para o exercício dessas actividades.

As diversas finalidades do trabalho científico podem se resumir em apresentar, demonstrar, difundir, recuperar ou contestar o conhecimento produzido, acumulado ou transmitido.

Uma das características principais nos trabalhos científicos é que seguem uma estrutura mais ou menos homogênea, o que torna essencial neste presente trabalho, inserido na cadeira de Metodologia de Investigação Científica I, abordarmos sobre os subtítulos que fazem parte de um trabalho científico. Faremos uma breve descrição de cada um dos subtítulos que fazem parte de um trabalho científico.

1.0. Subtítulos de um trabalho científico

1.1. Tema

O tema é o assunto que se deseja provar ou desenvolver.

Para Lakatos & Marconi (2003), o tema pode surgir de uma dificuldade prática enfrentada pelo coordenador, da sua curiosidade científica, de desaftos encontrados na leitura de outros trabalhos ou da própria teoria. [...] Independente de sua origem, o tema é, nessa fase, necessariamente amplo, precisando bem o assunto geral sobre o qual se deseja realizar a pesquisa.

1.2. Título

A palavra “título”, etimologicamente, vem do latim titulus. O título surge em primeiro lugar como anúncio ou mesmo um rótulo. “Ele não surge por si só, mas para se referir a algo que lhe é exterior. Normalmente, o título deve exprimir a temática específica que determina o texto.” (CERVO & BERVIAN, 2002)

1.3. Delimitação do tema

Cervo & Bervian (2002) afirmam que “delimitar o tema é selecionar um tópico ou parte a ser focalizada”.

Para Lakatos & Marconi (2003):

Dotado necessariamente de um sujeito e de um objecto, o tema passa por um processo de especillcação. O processo de delimitação do tema só é dado por concluído quando se faz a sua limitação geográftca e espacial, com vistas na realização da pesquisa. Muitas vezes as verbas disponíveis determinam uma limitação maior do que o desejado pelo coordenador, mas, se se pretende um trabalho científico, é preferível o aprofundamento à extensão.

A delimitação do tema pode ser feita pela sua decomposição em partes. Essa decomposição possibilita definir a compreensão dos termos, o que implica na explicação dos conceitos. Ela também poder ser feita por meio da definição das circunstâncias, de tempo e de espaço. Além disso, o pesquisador pode definir sob que ponto de vista irá focalizá-lo. “Um mesmo tema pode receber diversos tratamentos, tais como psicológicos sociológico, histórico, filosófico, estatístico, etc.” (CERVO & BERVIAN, 2002, p. 83)

 

1.4. Problematização

O problema é uma questão que envolve intrinsecamente uma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução. “A formulação do problema prende-se ao tema proposto: ela esclarece a dificuldade específica com a qual se defronta e que se pretende resolver por intermédio da pesquisa.” (LAKATOS & MARCONI, 2003, P. 220)

Em termos gerais, uma problematização pode ser considerada como “a colocação dos problemas que se pretende resolver dentro de um certo campo teórico e prático.” (THIOLLENT, 1986).

1.5. Hipótese

Hipótese é uma proposição que pode ser colocada à prova para determinar a sua validade.  Neste sentido, hipótese é “uma suposta resposta ao problema a ser  investigado. [...] A origem das hipóteses poderia estar na observação assistemática dos  factos, nos resultados de outras pesquisas, nas teorias existentes, ou na simples  intuição”(GIL, 1999).

Segundo Lakatos e Marconi (2003), as hipóteses podem ser:

Hipótese Básica: o ponto básico do tema, individualizado e especificado na formulação do problema, sendo uma dificuldade sentida, compreendida e definida, necessita de uma resposta, "provável, suposta e provisória", isto é, uma hipótese. A principal resposta é denominada hipótese básica, podendo ser complementada por outras, que recebem a denominação de secundárias.

Hipóteses Secundárias: são afirmações (toda hipótese é uma afirmação) complementares da básica, podendo: abarcar em detalhes o que a hipótese básica afirma em geral; englobar aspectos não especificados na básica e indicar relações deduzidas da primeira.

1.6. Objectivos

Segundo Cervo & Bervian (2002), os objectivos definem a natureza do trabalho, o tipo de problema, o material a colectar, etc. Por meio dos objectivos, indicam-se a pretensão com o desenvolvimento da pesquisa e quais os resultados que se buscam alcançar.

O objectivo geral está ligado a uma visão global e abrangente do tema. Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenômenos e eventos, quer das idéias estudadas. Vincula-se diretamente à própria significação da tese proposta pelo projeto. (LAKATOS & MARCONI, 2003, p. 219)

Os objectivos específicos apresentam carácter mais concreto. Têm função intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objectivo geral e, de outro, aplicá-lo a situações particulares. (Ibidem)

1.7. Justificativa

É o único item do projecto que apresenta respostas à questão por quê? De suma importância, geralmente é o elemento que contribui mais diretamente na aceitação da pesquisa pela(s) pessoa(s) ou entidades que vão financiá-Ia. Consiste numa exposição sucinta, porém completa, das razões de ordem teórica e dos motivos de ordem prática que tornam importante a realização da pesquisa. (Ibidem, p. 219)

1.8. Quadro teórico/ Fundamentação teórica/ Marco teórico

O quadro teórico é resultado da Revisão de literatura e/ou Estado da arte sobre determinado tema de pesquisa. A Revisão de Literatura compõe-se da evolução do tema e idéias de diferentes autores sobre o assunto.

1.9. Metodologias

A metodologia apresenta como se pretende realizar a investigação. “A especifIcação da metodologia da pesquisa é a que abrange maior número de itens, pois responde, a um só tempo, às questões como?, com quê?, onde?, quanto?” (LAKATOS E MARCONI, 2003, p. 221)

1.10.                      Tipo de Pesquisa

As pesquisas, segundo o Módulo de MIC I, UCM-CED, não são classificadas apenas pelas suas abordagens, mas também pelos procedimentos e colecta de dados, pelas fontes de informação, quanto aos objectivos e níveis de investigação. Todas essas classificações aprimoram a objectividade na pesquisa.

Segundo Teixeira (2000 apud UCM-CED), quanto ao nível de investigação podemos distinguir dois tipos de pesquisa, designidamente:

Pesquisa básica – na qual a finalidade é o saber em si, a satisfação da necessidade intelectual, sem a produção de resultados de utilidade prática.

Pesquisa aplicada – na qual a investigação surge como necessidade de resolver ou contribuir com soluções práticas para problemas que exigem uma intervenção imediata.

Quanto aos objectivos as pesquisas podem ser:

Pesquisa exploratória que, segundo Severino (2007:123 apud UCM-CED) busca apenas levantar informações sobre um determinado objecto, delimitando assim um campo de trabalho, mapeando as condições de manifestação desse objecto.

Pesquisa descritiva que visa, conforme Teixeira (2000:118 cit. por UCM-CED) descrever as características conhecidas ou componentes no facto, fenómeno ou representação.

Pesquisa Explicativa é aquela que além de registrar e analisar os fenómenos estudados, busca identificar suas causas, seja através da aplicação do método experimental/matemático, seja através da intepretação possibilitadas pelos métodos quantitativos (SEVERINO: 2007:123 apud UCM-CED).

Pesquisa Prospectiva que tem em vista acompanhar acontecimentos, fenómenos ou eventos por um período determinado de tempo no futuro.

Pesquisa retrospectiva que busca informações sobre eventos, fenómenos, acontecimentos passados.

Quanto oas procedimentos de colecta de dados, as pequisas podem ser:

Pesquisas experimentais: são aquelas nas quais o pesquisador

intervém de maneira activa para obter dados, controla as variáveis em uma amostra aleatória, introduz um tratamento, ou seja, um fenómeno da realidade é produzido de forma controlada, com objectivo de  descobrir os fatores que o produzem, ou seja, que por eles são produzidos (TEIXEIRA: 2000:118 apud UCM-CED).

Pesquisas quase-experimentais: Teixeira (2000 apud UCM-CED) classifica a pesquisa quase-experimental como sendo as que o pesquisador pode intervir de forma activa na colecta dos dados, todavia não controla as variáveis, podendo a amostra não ser aleatória.

Pesquisas não-experimental: A pesquisa não experimental estuda as relações entre duas ou mais variáveis de um dado fenómeno ou evento sem manipulá-las.

Tipos de pesquisas quanto as fontes de informação

Para Teixeira (2000 apud UCM-CED) as pesquisas quanto as fontes de informação podem ser classificadas em três tipos:

Pesquisa de Campo: na qual as fontes de informação são encontradas em seus ambientes naturais.

Pesquisa de laboratório: são as que as fontes de informação são encontradas em ambientes artificiais.

Pesquisa bibliográfica: são aquelas em que as fontes de informação são obras bibliográficas, encontradas em livros, teses, dissertações, monografias, arquivos, internet, etc.

1.11.                      Método de abordagem

De acordo com Lakatos & Marconi (2003), o método se caracteriza por uma abordagem mais ampla, em nível de abstração mais elevado, dos fenômenos da natureza e da sociedade. É, portanto, denominado método de abordagem, que engloba o indutivo, o dedutivo, o hipotético-dedutivo e o dialético.

1.12.                      Técnicas de recolha de dados

As técnicas de colecta de dados são um conjunto de regras ou processos utilizados por uma ciência, ou seja, corresponde à parte prática da colecta de dados (LAKATOS & MARCONI, 2003). 

Durante a colecta de dados, diferentes técnicas podem ser empregadas, sendo mais utilizados: a entrevista, o questionário, a observação e a pesquisa documental.

1.13.                      População em estudo, Universo e Amostra

Uma “população de estudo” é definida como o grupo que está sendo considerado para um estudo estatístico ou raciocínio. Muitos estudos de pesquisa requerem grupos específicos para tirar conclusões e tomar decisões com base em seus resultados. Esse grupo de interesse é conhecido como uma amostra.

 

1.14.                      Apresentação e análise dos dados

A análise dos dados é uma das fases mais importantes da pesquisa, pois, a partir dela, é que serão apresentados os resultados e a conclusão da pesquisa, conclusão essa que poderá ser final ou apenas parcial, deixando margem para pesquisas posteriores (MARCONI & LAKATOS, 2003).

1.15.                      Discussão dos resultados

Neste tópico, serão descritos todos os resultados encontrados na pesquisa empírica. Esta sessão pode ser divida didaticamente em duas partes: apresentação dos resultados e discussão dos resultados.

1.16.                      Conclusão

A conclusão é a parte final do trabalho e geralmente recebe o título de considerações finais. Nela são apresentadas a síntese de toda a reflexão, as limitações do trabalho e as sugestões para futuras pesquisas.

1.17.                      Referências bibliográficas

Inclui todas as obras já apresentadas no projecto, acrescidas das que foram sendo sucessivamente utilizadas durante a execução da pesquisa e a redação do relatório.

Referência é o conjunto de elementos que permitem a identificação, no todo ou em parte, de documentos impressos ou registrados em diversos tipos de materiais. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (2000, p.1) na NBR6023:2000: “fixa a ordem dos elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação de informação originada do documento e/ou outras fontes de informação”.

2.0. Conclusão

Após uma vasta indagação em torno do tema, concluiu-se que, um trabalho científico é o texto (em sentido lato ou estrito) resultado de algum dos diversos processos ligados à produção e transmissão de conhecimento executados no âmbito das instituições de ensino, pesquisa e extensão universitária, formalmente reconhecidas para o exercício dessas actividades.

Uma das características principais nos trabalhos científicos é que seguem uma estrutura mais ou menos homogênea.

Com base em Lakatos & Marconi (2003), Gil (1999) e Cervo & Bervian (2002), percebe-se que os trabalhos científicos apresentam a mesma estrutura básica: introdução, desenvolvimento e conclusão.

Além da estrutura básica dos trabalhos científicos, também se destacam os subtítulos dentro dos tais trabalhos científicos: Tema; Titulo; Delimitação do tema; Problematização; Hipótese; Objectivos; Justificativa; Quadro teórico/ Fundamentação teórica/ Marco teórico; Metodologias; Tipo de Pesquisa; Método de abordagem; Técnicas de recolha de dados; População em estudo; Universo; Amostra; Apresentação e análise dos dados; Discussão dos resultados; Conclusão e Referências bibliográficas.

3.0. Referências

ARTUR, S. D. Metodologia de Investigação Científica I: Manual de Tronco Comum. UCM-CED, Beira, Moçambique.

CERVO, A. L. BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5.ed. São Paulo: Prentice Hall, 2002.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1999.

KÖCHE, J. C. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. 14. ed. rev. amp. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1997.

LAKATOS, E. M. & MARCONI, M. de A. Fundamentos de Metodologia Científica. 5. ed. São Paulo. Atlas, 2003.

THIOLLENT, M. Metodologia de Pesquisa-Acão. 2. Ed. São Paulo. Cortez, 1986.

 


Distinção entre os processos de formação de palavras por aglutinação e justaposição

 

Introdução

As palavras que compõem o léxico da língua são formadas principalmente por dois processos morfológicos: Derivação e Composição.

Na derivação, a formação de uma nova palavra ocorre a partir de uma única palavra simples ou radical, ao qual se juntam afixos, formando uma nova palavra com significação própria. Existem cinco tipos de derivação: derivação prefixal, derivação sufixal, derivação parassintética, derivação regressiva e derivação imprópria.

Na composição, a formação de uma nova palavra ocorre a partir da junção de duas ou mais palavras simples ou radicais. Formam-se assim palavras compostas com significação própria. O processo de composição pode ocorrer por justaposição ou por aglutinação.

O presente trabalho insere-se na cadeira de Linguística geral, onde, por via de indagação, procura abordar sobre a distinção entre processo de formação de palavras por justaposição e aglutinação. Com este tema pretende-se destacar os elementos diferenciadores entre as palavras justapostas e aglutinadas estabelecendo, deste modo, alguns exemplos concretos das palavras do tema em causa.

Composição de palavras: Justaposição e Aglutinação

Composição é o processo linguístico que permite a formação de novas palavras a partir de duas ou mais palavras simples ou radicais. As novas palavras formadas são palavras compostas, possuindo um significado próprio.

Existem dois tipos de composição: composição por justaposição e composição por aglutinação.

Adentrando neste campo conceitual, Carvalho (1956) assinala que, na Língua Portuguesa, existem dois tipos significativos em relação às palavras formadas por composição: a justaposição e a aglutinação.

Cunha registra, por sua vez, na “Gramática do português contemporâneo”, que a composição seria um tipo específico de se formar palavras. Assim, ela consistiria em

formar uma nova palavra pela união de dois ou mais radicais. A palavra composta representa sempre uma idéia única e autônoma, muitas vezes dissociada das noções expressas pelos componentes. Assim, criado-mudo é o nome de um móvel; mil – folhas, o de um doce; vitória – régia, o de uma planta; pé-de-galinha, o de uma ruga no canto externo dos olhos  (CUNHA, 1970, p. 76).

Santos, na “Gramática brasileira da língua portuguesa”, também pontua que, no português, um dos processos formadores de palavras é a composição. A seu ver, ao contrário de outras línguas, a composição tem baixo rendimento em língua portuguesa, seja porque é bem extenso o processo derivacional, seja porque o composto dificulta o sistema flexivo da língua. Contendo mais de um radical a palavra é composta. Com um radical apenas, a palavra é simples (SANTOS, 1980, p. 83).

SANTOS (ibidem, p. 83) constata que, na Língua Portuguesa, a composição pode ocorrer, a partir de duas esferas: a justaposição e a aglutinação. Aquela se refere só à aproximação de radicais diferentes, sendo que cada um preserva a sua autonomia fonética. A esse respeito, ele cita os vocábulos “guarda-roupa” e “porco-espinho”.

Quanto à aglutinação, o gramático focalizado registra que seria um composto formado pela união de palavras diferentes, havendo, no primeiro radical, a perda da autonomia fonética, assim como aconteceria com os vocábulos “aguardente”, “pernalta” e “planalto”.

 

Diferença entre palavras compostas por justaposição e aglutinação

Composição por aglutinação

Ocorre composição por aglutinação quando há alteração das palavras formadoras. Ocorre a fusão de duas ou mais palavras simples ou radicais, havendo supressão de fonemas. Os elementos formadores perdem, assim, a sua identidade ortográfica e fonológica porque a nova palavra composta apresenta apenas um acento tônico.

·         aguardente = água + ardente;

·         embora = em + boa + hora;

·         planalto =plano + alto;

·         vinagre = vinho + acre.

Composição por justaposição

Ocorre composição por justaposição quando não há alteração das palavras formadoras. Ocorre apenas a junção de duas ou mais palavras simples ou radicais, que mantêm a mesma ortográfica e acentuação que apresentavam antes do processo de composição. A maior parte das palavras compostas por justaposição estão ligadas com um hífen. Contudo, é possível a escrita de palavras compostas por justaposição sem hífen ou apenas escritas juntas.

·         arco-íris;

·         beija-flor;

·         guarda-chuva;

·         segunda-feira;

·         chapéu de chuva;

·         fim de semana;

Em suma a composição é o processo pelo qual a formação de palavras se dá pela união de dois ou mais radicais. Pode ocorrer  por justaposição, quando não há alteração fonética nos radicais (ponta-pé = pontapé) e por aglutinação, quando há alteração fonética nos radicais (plano + alto = planalto).

Conclusão

Após a indagação feita em torno do tema em causa concluiu-se que os principais processos de formação de palavras no português são a derivação e a composição. A derivação é a possibilidade de formar palavras através de outras consideradas primitivas. Já a composição diz respeito respeito à criação de uma nova palavra, a partir de dois radicais inter-relacionados, com significado único, configurando-se através da justaposição ou da aglutinação.

No que concerne à justaposição, pode-se pontuar que esse fenômeno apresenta peculiaridades próprias, dentre elas, a possibilidade de formar palavras compostas com radicais livres, consoante se observa em “guarda-chuva”. Individualidade esta que se fundamenta a partir de dois planos: o escrito e o fonológico. A independência constitutiva das palavras, perceptível a partir da escrita do sintagma nominal, é estabelecida através da justaposição dos dois radicais, geralmente, inter- relacionados por um hífen. Já, na pronúncia, configura-se a partir da independência fonética.

No que tange à aglutinação, afirma-se que sé um processo formador de palavras compostas através da fusão de dois radicais, a título de ilustração: “planalto” e “aguardente”. Esse agregamento constitui-se pela restrição vocabular, decorrente do aparecimento de um único acento tônico, bem como da substituição ou eliminação de fonemas, construindo-se uma nova palavra. A autonomia fonética do primeiro componente, portanto, é suplantada, sofrendo alterações em sua pronúncia. Assim, em planalto (plano + alto), há, na palavra “plano”, o apagamento da vogal “o” e da tonicidade, visto que esta é transportada para a sílaba “nal”, da palavra composta analisada. Já em aguardente (água + ardente), a palavra “água” perde a vogal “a” e sua tonicidade (água), visto que esta é apresentada na sílaba “den” da palavra composta.

Referências

CARVALHO, Q.( 1956). Nova gramática da língua portuguesa. São Paulo: Edições Rio Branco.

CUNHA, C. (1970). Gramática do Português Contemporâneo. Belo Horizonte: Editora Bernardo Álvares S.A.

SANTOS, M. dos. (1980). Gramática brasileira da língua portuguesa. São Paulo: FTD.

 


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