27 abril, 2020

O solo e a sua importância

O solo é um recurso natural renovável que, de uma forma simplificada, se pode definir como a camada superficial da crosta terrestre, formada por partículas minerais de vários tamanhos e composição química diversa e matéria orgânica em diferentes fases de decomposição. As diferentes proporções destes componentes, o modo como se distribuem no solo e a composição da rocha mãe determinam a sua natureza. 

É esta camada que serve de suporte às plantas terrestres e dela depende toda a vida à superfície da terra. Forma-se lentamente por processos biológicos, físicos e químicos, mas pode ser rapidamente deteriorado ou destruído por fenómenos naturais ou por práticas incorrectas. 

A componente mineral do solo resulta dos processos erosivos que levam à progressiva desagregação das rochas em elementos de diferente tamanho, variando desde partículas mais grosseiras, como o cascalho e o saibro, até partículas de dimensões mais pequenas, como a areia, o limo e a argila. (Frey e Nielsen, 1984).

(…) Numa perspectiva geológica, ao falar de solo, poderemos pensar no conceito de rególito, o manto de alteração existente à superfície da terra resultante do processo de meteorização das rochas. De facto, no máximo, o solo pode corresponder à totalidade do rególito, mas em muitos locais é apenas a parte superficial dele.

Num sentido mais estrito o solo pode ser entendido como “material não consolidado, mineral ou orgânico, existente à superfície da terra e que serve de meio natural para o crescimento das plantas” (SSSA, 1997).

Definição do solo e sua importância

De um modo mais resumido, o solo define-se como a camada superficial da Terra.

 Importância.

Segundo o Sampaio, 1999: é habitual atribuir seis (6) funções ao solo: de natureza ecológica, de natureza técnico-industrial de natureza sociocultural.

Funções de natureza ecológica:

1 - Meio de Suporte para a produção de biomassa 

Está na base da vida humana e animal uma vez que é ela que assegura o aprovisionamento em alimentos, bioenergia e produção de fibras. Assim, o solo é um substrato físico para o sistema radicular das plantas e, simultaneamente, é um substrato nutritivo que assegura a utilização de água e outras substâncias necessárias ao crescimento vegetal. 

2 - Regulador ambiental

funciona como filtro, acumulador, amortecedor e transformador de diversos compostos que circulam entre a atmosfera, a hidrosfera e os organismos vivos,    fazendo parte integrante do ciclo hidrológico e de outros ciclos biogeoquímicos. Funciona com um complexo reactor bio-físico-químico onde ocorrem fenómenos de filtração mecânica, absorção e precipitação à superfície de constituintes inorgânicos e orgânicos do solo e transformações bioquímicas, nomeadamente a mineralização (decomposição) de resíduos da actividade biológica até à libertação dos elementos minerais constituintes e à sua reintegração nos ciclos biogeoquímicos. 

3 - Reserva de biodiversidade 

Por exemplo: o banco de sementes do solo, mas também o meio de crescimento e habitat de uma miríade de organismos, macro e microscópicos, muitos de espécies ainda desconhecidas, que têm no solo o seu habitat, e que são enorme manancial genético. 

Funções de natureza socioeconómica:

O solo também é necessário para construção de habitações, desenvolvimento industrial, circulação e transportes, equipamentos de tempos livres e desportos, recepção de resíduos, etc.

Fornecimento de água, argila, areia, cascalho, carvão, minerais, turfa, etc, para a produção técnica e industrial ou para fins socioeconómicos. 

 Os factores de formação do solo

Dentre vários factores que condicionam a formação do solo destacam os físicos, químicos e biológicos.

Os factores físicos de formação do solo são: a rocha matriz, o clima, o relevo, os organismos vivos e o tempo.

Rocha matriz

Se considerarmos as rochas a partir de sua gênese, elas podem ser classificadas em ígneas intrusivas, ígneas extrusivas, metamórficas e sedimentares. Portanto, a depender do tipo de rocha que dá origem ao solo em seu processo de formação, diferentes composições químicas e minerais esse solo irá apresentar.

Clima

A interferência dos factores climáticos sobre a formação do solo acontece a partir da regulação de alguns elementos, como a humidade, os ventos e, principalmente, o regime de chuvas, o que afecta em maior ou menor grau o intemperismo da rocha matriz. A tendência é que, quanto mais quente e húmido for o ambiente atmosférico – algo comum em regiões de climas tropicais e equatoriais – mais rápida e intensa será o processo de decomposição da rocha, uma vez que os intemperismo físico e químico serão acelerados.

Relevo

Em regiões onde as formas de relevo são mais acentuadas, a presença de declividades é mais comum. Nesses locais, os solos tendem a ser pouco profundos e menos desenvolvidos, uma vez que em áreas íngremes a água proveniente das chuvas tende a escoar e não a infiltrar, o que diminui a incidência do intemperismo. Já regiões mais planas, por outro lado, tendem a favorecer a acção dos agentes exógenos de transformação do ambiente, o que contribui para acelerar a pedogênese.

Organismos vivos

A presença de organismos vivos também irá condicionar o processo de formação dos solos, uma vez que muitos deles agem naquilo que chamamos de intemperismo biológico ou químico-biológico através da liberação de diferentes substâncias. Com isso, quanto mais material orgânico e seres vivos existirem nesse solo, mais intensificado será o seu processo de constituição. Além disso, eles irão interferir em outras instâncias, como o grau de fertilidade e a composição química.

 Tempo

Refere-se ao período quantitativo em que a rocha matriz foi exposta às condições ambientais. Assim sendo, regiões de solos jovens, tendem apresentar menor profundidade em comparação com regiões geologicamente mais antigas. A maior parte do território brasileiro é considerada antiga, o que, combinado à presença de humidade e calor na maior parte do país, faz com que tenhamos muitos solos de perfil mais bem desenvolvido.

 Propriedades do solo

De entre as muitas propriedades do solo, referem-se aqui algumas das mais importantes: 

Textura

É a proporção em que se encontram no solo as diferentes classes de partículas. Só os elementos minerais são considerados para a determinação desta propriedade. De acordo com a classificação de Atterberg, as partículas do solo repartem-se por diversas classes, representadas na tabela I.

Partículas

Classe de dimensão

Pedra, cascalho, saibro

> 2 mm

Areia

0.02-2 mm

Limo

0.02 –0.0002 mm

Argila

< 0.0002 mm

Tabela I: Classificação de Atterberg, relativa à textura dos solos.

Estrutura

As partículas do solo agrupam-se, por sua vez, em aglomerados de maiores dimensões. A maneira como as partículas se organizam para formar os aglomerados chama-se estrutura. O arejamento do solo depende muito desta propriedade. 

Porosidade

Esta propriedade refere-se ao espaço do solo que não é ocupado por partículas. De uma maneira geral, solos de textura fina têm maior porosidade e solos arenosos têm menor porosidade. 

Permeabilidade

Refere-se à maior ou menor facilidade com que a água, o ar e as raízes das plantas atravessam o solo. Os solos que se deixam atravessar mais facilmente denominam-se permeáveis. Aqueles que não se deixam atravessar chamam-se impermeáveis. 

Coesão

É a forma como as partículas do solo se encontram ligadas entre si. Os solos cujas partículas apresentem uma baixa capacidade de agregação entre si, são chamados leves ou soltos, caso se verifique a situação inversa denominam-se compactos ou fortes.

 Fertilidade do solo

Fertilidade é a capacidade do solo de ceder nutrientes para as plantas. A fertilidade do solo pode ser dividida em quatro tipos:

a) Fertilidade Natural: É a fertilidade decorrente do processo de formação do solo: material de origem + ambiente + organismos + tempo. Fertilidade de um solo nunca trabalhado.

b) Fertilidade Actual: É a fertilidade do solo após a acção do homem. Fertilidade após práticas de manejo que visam fornecer nutrientes para as culturas por meio de correcção e adubação mineral ou orgânica.

c) Fertilidade Potencial: É a que pode se manifestar a partir de determinadas condições. Nesse caso, alguma característica do solo pode estar limitando a real capacidade do solo em ceder nutrientes para as plantas. Exemplo: Solos ácidos.

d) Fertilidade Operacional: É a fertilidade estimada a partir da determinação dos teores de nutrientes no solo por determinados extractores químicos. Nem sempre a fertilidade operacional é exactamente a fertilidade natural ou a actual do solo. Elas se correlacionam, mas podem não ser exactamente iguais.

 Conclusão

O solo é a camada superficial da crusta terrestre. O solo é muito importante para a vida dos seres vivos, pois é no solo onde habitam os seres humanos, afixam-se as plantas, casas, vias de circulação, etc.

O solo é um recurso multifuncional excepto para usos que implicam a sua remoção ou impermeabilização.

Na defesa do meio ambiente o solo é, muitas vezes, um recurso esquecido mas é essencial para o suporte de todos os ecossistemas terrestres.

Atendendo a que 99% da produção de alimentos e de biomassa depende do solo, torna-se evidente que este é, também, um recurso vital para a humanidade, praticamente tanto como o ar e a água.


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