O solo é um recurso natural renovável que, de uma forma simplificada, se pode definir como a camada superficial da crosta terrestre, formada por partículas minerais de vários tamanhos e composição química diversa e matéria orgânica em diferentes fases de decomposição. As diferentes proporções destes componentes, o modo como se distribuem no solo e a composição da rocha mãe determinam a sua natureza.
É esta camada que
serve de suporte às plantas terrestres e dela depende toda a vida à superfície
da terra. Forma-se lentamente por processos biológicos, físicos e químicos, mas
pode ser rapidamente deteriorado ou destruído por fenómenos naturais ou por
práticas incorrectas.
A componente
mineral do solo resulta dos processos erosivos que levam à progressiva
desagregação das rochas em elementos de diferente tamanho, variando desde
partículas mais grosseiras, como o cascalho e o saibro, até partículas de
dimensões mais pequenas, como a areia, o limo e a argila. (Frey e Nielsen,
1984).
(…) Numa
perspectiva geológica, ao falar de solo, poderemos pensar no conceito de
rególito, o manto de alteração existente à superfície da terra resultante do
processo de meteorização das rochas. De facto, no máximo, o solo pode
corresponder à totalidade do rególito, mas em muitos locais é apenas a parte
superficial dele.
Num sentido mais estrito o solo pode ser entendido como “material não consolidado, mineral ou orgânico, existente à superfície da terra e que serve de meio natural para o crescimento das plantas” (SSSA, 1997).
Definição do solo e sua importância
De um modo mais
resumido, o solo define-se como a camada superficial da Terra.
Segundo o Sampaio,
1999: é habitual atribuir seis (6) funções ao solo: de natureza ecológica, de
natureza técnico-industrial de natureza sociocultural.
Funções de natureza ecológica:
1 - Meio de Suporte para a produção de biomassa
Está na base da
vida humana e animal uma vez que é ela que assegura o aprovisionamento em
alimentos, bioenergia e produção de fibras. Assim, o solo é um substrato físico
para o sistema radicular das plantas e, simultaneamente, é um substrato
nutritivo que assegura a utilização de água e outras substâncias necessárias ao
crescimento vegetal.
2 - Regulador ambiental
funciona como
filtro, acumulador, amortecedor e transformador de diversos compostos que
circulam entre a atmosfera, a hidrosfera e os organismos vivos, fazendo parte integrante do ciclo
hidrológico e de outros ciclos biogeoquímicos. Funciona com um complexo reactor
bio-físico-químico onde ocorrem fenómenos de filtração mecânica, absorção e
precipitação à superfície de constituintes inorgânicos e orgânicos do solo e
transformações bioquímicas, nomeadamente a mineralização (decomposição) de
resíduos da actividade biológica até à libertação dos elementos minerais
constituintes e à sua reintegração nos ciclos biogeoquímicos.
3 - Reserva de biodiversidade
Por exemplo: o
banco de sementes do solo, mas também o meio de crescimento e habitat de uma
miríade de organismos, macro e microscópicos, muitos de espécies ainda
desconhecidas, que têm no solo o seu habitat, e que são enorme manancial
genético.
Funções de natureza socioeconómica:
O solo também é
necessário para construção de habitações, desenvolvimento industrial,
circulação e transportes, equipamentos de tempos livres e desportos, recepção
de resíduos, etc.
Fornecimento de
água, argila, areia, cascalho, carvão, minerais, turfa, etc, para a produção
técnica e industrial ou para fins socioeconómicos.
Os factores de formação do solo
Dentre vários
factores que condicionam a formação do solo destacam os físicos, químicos e
biológicos.
Os factores
físicos de formação do solo são: a rocha matriz, o clima, o relevo, os
organismos vivos e o tempo.
Rocha matriz
Se considerarmos
as rochas a partir de sua gênese, elas podem ser classificadas em ígneas
intrusivas, ígneas extrusivas, metamórficas e sedimentares. Portanto, a
depender do tipo de rocha que dá origem ao solo em seu processo de formação,
diferentes composições químicas e minerais esse solo irá apresentar.
Clima
A interferência
dos factores climáticos sobre a formação do solo acontece a partir da regulação
de alguns elementos, como a humidade, os ventos e, principalmente, o regime de
chuvas, o que afecta em maior ou menor grau o intemperismo da rocha matriz. A
tendência é que, quanto mais quente e húmido for o ambiente atmosférico – algo
comum em regiões de climas tropicais e equatoriais – mais rápida e intensa será
o processo de decomposição da rocha, uma vez que os intemperismo físico e
químico serão acelerados.
Relevo
Em regiões onde as
formas de relevo são mais acentuadas, a presença de declividades é mais comum.
Nesses locais, os solos tendem a ser pouco profundos e menos desenvolvidos, uma
vez que em áreas íngremes a água proveniente das chuvas tende a escoar e não a
infiltrar, o que diminui a incidência do intemperismo. Já regiões mais planas,
por outro lado, tendem a favorecer a acção dos agentes exógenos de
transformação do ambiente, o que contribui para acelerar a pedogênese.
Organismos vivos
A presença de
organismos vivos também irá condicionar o processo de formação dos solos, uma
vez que muitos deles agem naquilo que chamamos de intemperismo biológico ou
químico-biológico através da liberação de diferentes substâncias. Com isso,
quanto mais material orgânico e seres vivos existirem nesse solo, mais
intensificado será o seu processo de constituição. Além disso, eles irão
interferir em outras instâncias, como o grau de fertilidade e a composição
química.
Refere-se ao
período quantitativo em que a rocha matriz foi exposta às condições ambientais.
Assim sendo, regiões de solos jovens, tendem apresentar menor profundidade em
comparação com regiões geologicamente mais antigas. A maior parte do território
brasileiro é considerada antiga, o que, combinado à presença de humidade e calor na maior parte do país,
faz com que tenhamos muitos solos de perfil mais bem desenvolvido.
De entre as muitas
propriedades do solo, referem-se aqui algumas das mais importantes:
Textura
É a proporção em
que se encontram no solo as diferentes classes de partículas. Só os elementos
minerais são considerados para a determinação desta propriedade. De acordo com
a classificação de Atterberg, as partículas do solo repartem-se por diversas
classes, representadas na tabela I.
|
Partículas |
Classe
de dimensão |
|
Pedra, cascalho, saibro |
> 2 mm |
|
Areia |
0.02-2 mm |
|
Limo |
0.02 –0.0002 mm |
|
Argila |
< 0.0002 mm |
Tabela
I: Classificação de Atterberg, relativa à textura dos solos.
Estrutura
As partículas do
solo agrupam-se, por sua vez, em aglomerados de maiores dimensões. A maneira
como as partículas se organizam para formar os aglomerados chama-se estrutura.
O arejamento do solo depende muito desta propriedade.
Porosidade
Esta propriedade
refere-se ao espaço do solo que não é ocupado por partículas. De uma maneira
geral, solos de textura fina têm maior porosidade e solos arenosos têm menor
porosidade.
Permeabilidade
Refere-se à maior
ou menor facilidade com que a água, o ar e as raízes das plantas atravessam o
solo. Os solos que se deixam atravessar mais facilmente denominam-se
permeáveis. Aqueles que não se deixam atravessar chamam-se impermeáveis.
Coesão
É a forma como as
partículas do solo se encontram ligadas entre si. Os solos cujas partículas
apresentem uma baixa capacidade de agregação entre si, são chamados leves ou
soltos, caso se verifique a situação inversa denominam-se compactos ou fortes.
Fertilidade é a
capacidade do solo de ceder nutrientes para as plantas. A fertilidade do solo
pode ser dividida em quatro tipos:
a) Fertilidade Natural: É a fertilidade
decorrente do processo de formação do solo: material
de origem + ambiente + organismos + tempo. Fertilidade de um solo nunca
trabalhado.
b) Fertilidade Actual: É a fertilidade do
solo após a acção do homem. Fertilidade após práticas de manejo que visam
fornecer nutrientes para as culturas por meio de correcção e adubação mineral
ou orgânica.
c) Fertilidade Potencial: É a que pode se
manifestar a partir de determinadas condições. Nesse caso, alguma
característica do solo pode estar limitando a real capacidade do solo em ceder
nutrientes para as plantas. Exemplo: Solos ácidos.
d) Fertilidade Operacional: É a
fertilidade estimada a partir da determinação dos teores de nutrientes no solo
por determinados extractores químicos. Nem sempre a fertilidade operacional é
exactamente a fertilidade natural ou a actual do solo. Elas se correlacionam,
mas podem não ser exactamente iguais.
O solo é a camada
superficial da crusta terrestre. O solo é muito importante para a vida dos
seres vivos, pois é no solo onde habitam os seres humanos, afixam-se as
plantas, casas, vias de circulação, etc.
O solo é um
recurso multifuncional excepto para usos que implicam a sua remoção ou
impermeabilização.
Na defesa do meio
ambiente o solo é, muitas vezes, um recurso esquecido mas é essencial para o
suporte de todos os ecossistemas terrestres.
Atendendo a que 99% da produção de alimentos e de biomassa depende do solo, torna-se evidente que este é, também, um recurso vital para a humanidade, praticamente tanto como o ar e a água.
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